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Mostrando postagens de 2013
Era um dia cinzento, chuvoso, os carros faziam filas nos faróis, buzinando. Um dia horrível. Ele escutava a chuva pingar em minha janela. Dentro do quarto, ao contraria da movimentação da rua, o silêncio era infinito. Os olhos ardiam, o corpo doía, e a mão escrevia sem intervalo, estava até dura.
Na estante uma fotografia amassada, livros e decorações que trazia de suas viagens. A máquina de escrever estava num canto, com uma folha inacabada e letras desordenadas. Não fazia idéia de quanto tempo já estava ali escrevendo. O cigarro no cinzeiro ainda soltava fumaça, o copo de uísque apenas com pedras de gelo derretendo. Levantou-se de sopetão e revirou o quarto procurando por algo e logo reverberou pela casa um barulho e quando ela entrou, viu o corpo dele embaixo de muitas roupas, o soluço baixinho e ele dizia repetidamente: “eu não consigo, eu não consigo, eu não consigo”.
Tirou a arma de sua mão e viu que estava sem balas, ela havia retirado as balas há muito tempo atrás, quando ele co…
Era um dia cinzento, chuvoso, os carros faziam filas nos faróis, buzinando. Um dia horrível. Ele escutava a chuva pingar em minha janela. Dentro do quarto, ao contraria da movimentação da rua, o silêncio era infinito. Os olhos ardiam, o corpo doía, e a mão escrevia sem intervalo, estava até dura.
Na estante uma fotografia amassada, livros e decorações que trazia de suas viagens. A máquina de escrever estava num canto, com uma folha inacabada e letras desordenadas. Não fazia idéia de quanto tempo já estava ali escrevendo. O cigarro no cinzeiro ainda soltava fumaça, o copo de uísque apenas com pedras de gelo derretendo. Levantou-se de sopetão e revirou o quarto procurando por algo e logo reverberou pela casa um barulho e quando ela entrou, viu o corpo dele embaixo de muitas roupas, o soluço baixinho e ele dizia repetidamente: “eu não consigo, eu não consigo, eu não consigo”.
Tirou a arma de sua mão e viu que estava sem balas, ela havia retirado as balas há muito tempo atrás, quando ele co…
Sorriso que fez eu sentir borboletas na barriga novamente.
Sorriso que fez eu sentir borboletas na barriga novamente.
As palavras que vem e vão
tem sabor de morango mordidoou de amora fresca, roubada da árvore,e o sorriso da menina que passado seu lado e chama sua atenção,te faz lembrar dos versos descobertos na cama,quando você apalpa o caminho do pecadoe aquele sorriso chega para te presentearmais uma vez.
“Estou pronta!” – penso.Mas pronta para o quê, exatamente?E a vontade de sair pelas ruasa sua procura é tão intensaque esquece o caminho percorridoe perde-se mais uma vez nas lembranças.

Sentada no banco da praça,
ela diz, à sua frente:
"Cheguei!"
Mas ao olhar só enxerga o sol te cegando
e o calor que se manifesta ardentemente.
As palavras que vem e vão,
os amores que vem e vão.

E é de se estranhar que o coração
sempre chama pelas mesmas vozes,
e é de estranhar que o rádio
toca as mesmas canções,
e você sempre a mesma a procurar.
As palavras que vem e vão
tem sabor de morango mordido ou de amora fresca, roubada da árvore, e o sorriso da menina que passa do seu lado e chama sua atenção, te faz lembrar dos versos descobertos na cama, quando você apalpa o caminho do pecado e aquele sorriso chega para te presentear mais uma vez.
“Estou pronta!” – penso. Mas pronta para o quê, exatamente? E a vontade de sair pelas ruas a sua procura é tão intensa que esquece o caminho percorrido e perde-se mais uma vez nas lembranças.

Sentada no banco da praça,
ela diz, à sua frente:
"Cheguei!"
Mas ao olhar só enxerga o sol te cegando
e o calor que se manifesta ardentemente.
As palavras que vem e vão,
os amores que vem e vão.

E é de se estranhar que o coração
sempre chama pelas mesmas vozes,
e é de estranhar que o rádio
toca as mesmas canções,
e você sempre a mesma a procurar.
Aqui chove dor
doença que maltrata o coração
que maltrata a alma

Aqui pinga solidão
sensação de tristeza
tempestade de paralisia

Aqui evapora sonhos
sorrisos que fogem dos lábios
tentação do caminho sem rota

Aqui mora a infelicidade
protetor das causas perdidas
e dos poetas sem sonhos.
Aqui chove dor
doença que maltrata o coração
que maltrata a alma

Aqui pinga solidão
sensação de tristeza
tempestade de paralisia

Aqui evapora sonhos
sorrisos que fogem dos lábios
tentação do caminho sem rota

Aqui mora a infelicidade
protetor das causas perdidas
e dos poetas sem sonhos.
Observando a noite iluminada pelas luzes da cidade
Minha mente foge para onde te perdi
Um caminho sem volta, sem sonhos
Apenas com a solidão como companheira.
O cigarro, o copo de vinho,
Um disco da Joni Mitchell e minhas lembranças.
Como testemunha do silêncio,
o vaso na sala.
Observando a noite iluminada pelas luzes da cidade
Minha mente foge para onde te perdi
Um caminho sem volta, sem sonhos
Apenas com a solidão como companheira.
O cigarro, o copo de vinho,
Um disco da Joni Mitchell e minhas lembranças.
Como testemunha do silêncio,
o vaso na sala.
“Por que as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros as satisfaçam, e, contudo, se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?”

[Haruki Murakami - Minha querida Sputnik]
“Por que as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros as satisfaçam, e, contudo, se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?”

[Haruki Murakami - Minha querida Sputnik]
"Nós recebemos a visita da poesia, nós não podemos achar que construímos a poesia."
[Criolo]
"Nós recebemos a visita da poesia, nós não podemos achar que construímos a poesia."
[Criolo]

Velha carta

a velha carta encontrada no meio do livro trouxe-lhe sensações outrora esquecidas. vindas sabe-se lá de onde, velhas lágrimas esbarraram em seus cílios e caíram pelo rosto. o perfume ainda estava impregnado na memória e as lembranças corriam para chegar o mais rápido possível. abraçou a carta contra seu peito. sentou-se no sofá e não pensou em mais nada durante o dia.

Ele partiu
e me deixou
com um corpo sem sonho
Ele partiu
e a dor da perda
estancou meu sangue
Lá se vai
meu pobre coração
correndo o mais que pode
Aqui jaz meu corpo
minha alma derradeira
meus olhos marejados.

Velha carta

a velha carta encontrada no meio do livro trouxe-lhe sensações outrora esquecidas. vindas sabe-se lá de onde, velhas lágrimas esbarraram em seus cílios e caíram pelo rosto. o perfume ainda estava impregnado na memória e as lembranças corriam para chegar o mais rápido possível. abraçou a carta contra seu peito. sentou-se no sofá e não pensou em mais nada durante o dia.

Ele partiu
e me deixou
com um corpo sem sonho
Ele partiu
e a dor da perda
estancou meu sangue
Lá se vai
meu pobre coração
correndo o mais que pode
Aqui jaz meu corpo
minha alma derradeira
meus olhos marejados.
A noite vem buscar
alento em meu pensar
traz frescor e melodia
sapiência e companhia
A noite segura meu coração
e o choro de criança
de meus olhos cansados
A noite acompanha
minha agonia, minha solidão
A noite, meu secreto desejo,
e minha paixão.
A noite vem buscar
alento em meu pensar
traz frescor e melodia
sapiência e companhia
A noite segura meu coração
e o choro de criança
de meus olhos cansados
A noite acompanha
minha agonia, minha solidão
A noite, meu secreto desejo,
e minha paixão.
Pensava a morte com um desejo desesperador. Não sabia mais os sentidos, não queria mais as dores, não desejava outra coisa senão a morte. Seus olhos até brilhavam ao ver a faca em cima da pia. Correu para pegar o objeto de desejo, colocou as mãos sobre a pia, um pingo de suor escorreu em sua testa, caindo no olho vidrado. Enxugou a testa com a manga da camiseta. O telefone recomeçou a tocar. Quinta vez que toca. Quem seria? Uma dúvida o dominou. Faca, telefone, faca, telefone. Faca... Se irritou ao escutar mais um toque. "Deixem-me em paz!", gritou.

(Silêncio)
Pensava a morte com um desejo desesperador. Não sabia mais os sentidos, não queria mais as dores, não desejava outra coisa senão a morte. Seus olhos até brilhavam ao ver a faca em cima da pia. Correu para pegar o objeto de desejo, colocou as mãos sobre a pia, um pingo de suor escorreu em sua testa, caindo no olho vidrado. Enxugou a testa com a manga da camiseta. O telefone recomeçou a tocar. Quinta vez que toca. Quem seria? Uma dúvida o dominou. Faca, telefone, faca, telefone. Faca... Se irritou ao escutar mais um toque. "Deixem-me em paz!", gritou.

(Silêncio)