não é possível esquecer um grande amor...

não é possível ficar longe quando se quer estar perto
não é fácil sentir saudade
não é fácil...

é difícil lembrar o toque de suas mãos
e não poder tocá-la!

é difícil lembrar o gosto de seu beijo
e não poder senti-lo!

é difícil... mas os momentos
que foram vividos juntos
ainda me fazem querer
ter um pouquinho mais de ti...

acabou-se a poesia
acabou-se o aborrecimento
acabou-se o amor
acabou-se o sexo

tiranos trancaram-me
dentro de meu coração
arrancaram-no de mim
e depois jogaram fora

eu sou o silêncio que me escuta
a lua que minguou

eu sou o pó levado pelo vento
as cinzas que já passou

eu sou a tarde que morre
o juízo que sumiu

eu sou o espaço vazio do mundo
a palavra que calou

eu não sou eu
eu sou o vazio
eu sou o desamor
eu sou a rouquidão

eu sou tudo
e sou o nada
estou aqui
e em lugar algum.

surpreendida por um momento de alegria, me desconheci. me vi saindo de meu corpo, me transformando em quem eu não queria. repetidas vezes, me sonhei nesse corpo. me sonhei nessa ilusão de que tudo, um dia, vai ficar bem. mas não vai. esses momentos alegres chegam e do mesmo jeito que chegam, vão embora. estou surpresa que a alegria ainda não foi embora. estou surpresa que estou aguentando minuto por minuto esse estado lastimável de ficar sorrindo pras paredes. não pode ser eu. não pode. e tudo por que eu vi uma joaninha pousar em minha mão. não sou eu de jeito nenhum.

sarah b.

uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. apesar de, se deve comer. apesar de, se deve amar. apesar de, se deve morrer. inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.

uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector

Eu caminho de sonhos em sonhos
de pesadelos em pesadelos,
escutando meu corpo,
escutando meu coração.

Eu me perco em vozes,
me reprovo em orações,
me julgo em palavras,
me iludo em silêncios.

As vozes me acordam,
as vozes me desnorteiam,
me sugam para o deserto da solidão,
mas continuo aqui.

quem sou eu?
quem é ela,
lua brilhante?
como me sobro na vida?

quero desmontar o quebra cabeça
deixar uma peça em todo caminho
para mais tarde me procurar
por entre as frestas de sua luz.

me sobra espaço nessa madrugada solitária
me resta a realidade do vazio
a voz que não me deixa dormir
o toque que não recebo.

estranha, perdida em minha solidão
rasgo palavras
e construo meu único e complexo
quebra cabeças...

As mãos se tocam.
Olhares se cruzam.
Como saber se é o momento certo?
Minutos passam, palavras são contidas.
Ninguém presta atenção nelas. Elas não prestam atenção uma na outra.
Nada mais importa.
Nem lágrimas derramadas, nem poemas declamadas, nem a música predileta.
Tudo é nada, e o nada é o contrário do nada.
Um vazio.
Solidão.
Separação.

sonhos quebrados
pedaço por pedaço
chovendo em minha janela

já não sei
se sou hoje
se fui ontem
se serei amanhã

piso em cacos
sangro em lágrimas
filtro dores...

ontem choveu bolinhas de sabão.
elas flutuavam, me tocavam e explodiam.
eu caminhava pelas ruas desertas,
sucumbia ao frio que me enebriava.
os sonhos pareciam reais
ou a realidade virou sonho.
mas ontem,
ontem não houve choro,
não houve grito.
ontem as palavras tomaram conta de mim
e os gestos, um dia tão importantes,
não tiveram mais importância.

ontem choveu bolinhas de sabão.
e você não estava aqui para vê-las!

meu corpo todo tatuado,
cheio de lembrança,
se fecha na tristeza a cada dia que passa...
quero natureza...
quero uma manhã de sol no mar...
quero um sorriso seu no meu anzol...

sonhar... pra quê sonhar?

sentada na varanda de sua casa, observando o sol que já vai descendo. o céu todo fogueado. com um cigarro na mão e um copo de vinho na outra, ela está pensando. preocupada. se jogando em sentimentos que não sabe de onde vêm. lágrimas que não sabe de onde escorrem. bebe o vinho e o gole desce seco em sua garganta. sente o líquido quente em seu corpo, correndo quente como o sangue em suas veias. sonhou demais. quis demais. pretendeu demais. no fundo não sabe o que quer da vida. sabe o que sente, muitas vezes; e muitas vezes sente vontade de sumir. sente vontade de ser outra pessoa. sente vontade de não ligar para o que as pessoas dizem. é, ela sonha demais. pra quê serve sonhar? de que serve se iludir? sonhar... pra quê sonhar?

outras personagens

às vezes parece que o infinito me chama... nem sei pra onde, ou pra quê... apenas sinto o infinito em meu peito. me cuspindo pra vida. mas nem sei o que é o infinito. o que é o infinito, afinal? o infinito é o abismo? ou apenas um vazio? ou será que pode ser essa sensação de que algo está esmagando meu peito 24 horas por dia? nem é preciso ter significado. o infinito, para mim, é sentido. concreto ou não, também não importa. sei que ele está por aí, me chamando. está por aqui, me esmagando. ele pode estar espreitando você neste momento. o infinito é o fantasma que assombra meus pesadelos. é a faca que corta meus pulsos. é a água que me afoga. o ar que me sufoca.

sarah b.

Ela me fez bem. Não sei o quanto ela sabe disso. Mas ela me fez bem. Deu-me cor. Deu-me alegria. Trouxe paz ao meu coração. Ensinou-me a viver... Ajudou-me a libertar meus desejos mais profundos. E eu entreguei meu coração. Eu entreguei meu coração como nunca entreguei nada na minha vida. Entreguei-me de corpo e alma. Entreguei-me, mesmo com medos. Medo do indizível, do abismo, do inatingível, do descontrole... Descontrole que pude experimentar, que me levou além dos sentidos e dos sentimentos. Mas mesmo assim, também me controlei. Achei meu balanço. Consegui controlar minhas ansiedades, minhas inseguranças. Mas elas aparecem. Comecei a acreditar na vida, a acreditar que poderia conhecer a felicidade e o amor. Acredito que vivenciei um pouco disso estando ao lado dela. E tudo foi lindo... Intenso... Envolvente...

Anjo que tardas, minha lotaria, dá-me as tuas asas que eu dou-te alegria. Anjo sem casa nem sabedoria, balda-te ao céu, faz-me companhia. Anjo fugido, de cabeça esguia, pousa no meu colo e diz-me “bom-dia”. Anjo enganado, cor da minha vida, volta para o meu lado ou dá-me uma saída. Anjo do escuro, pássaro sem medo, leva as minhas penas, dá-me o teu segredo.
(Inês Pedrosa - Fazes-me falta)

Estou sobrando no mundo

Querendo crescer, mas sem saber muito para onde ir
Quero estudar mais e mais e mais e mais

Estou sobrando no mundo

E isso...


é tudo o que me resta...

Porque será que a imprensa não deixa o assunto "morte de Michael Jackson" de lado (afinal ele já morreu há uma semana, isso é, se ele morreu mesmo!!!) e trata de escrever assuntos mais importantes???

E eu aqui estou a flutuar,
a boiar pelos ares poluídos
da cidade grande

Sentindo o coração bater
a vida prosseguir
sem sentido de viver

E o sangue pulsa meu corpo
todo esgotado
todo arrebentado

Sonho... sonho... sonho...
Mas quem diz
que o pesadelo acabou?

"(...) Ajoelhou-se trêmula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor: alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."
Trecho do livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector

Vida em Marte... Será?

Acabo de ler uma notícia no site do yahoo: Cientistas encontram primeira prova concreta de lago em Marte.

Tudo bem, mas e a foto? Creio que, de certa forma, não estamos sozinhos no universo. Afinal, se não existe apenas a Terra como planeta, porque existiria apenas terráqueos?

Notícia completa: Aqui
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O filme "Jean-Charles" teve sua pré-estréia ontem.

Para quem não lembra, Jean-Charles foi o brasileiro morto por policiais britânicos em 2006. Suspeito de ser um terrorista, os policiais o mataram no metrô, sem se importarem com a veracidade da acusação. O protagonista é interpretado por Selton Mello e o filme dirigido por Henrique Goldman.

Quando assistir ao filme, colocarei uma resenha em meu outro blog, o Meias Palavras.

Ultimamente não tenho escrito. Tenho falado. Me assusta saber que eu posso [consigo] falar. Escutar o som de minha voz, me deturpa. Não sei se incomodo ou me incomodo comigo. Só sei que tenho aprendido a falar. E esse aprender é louco. Inovador. Mas também tenho meus momentos silêncio. Onde posso me pegar pensando em mil e trocentas coisas diferentes em apenas um segundo. Saber pensar é libertador, ao mesmo tempo me prende. Não sei ser outra pessoa. Sei ser assim. Estranha. Quieta. Às vezes, falante. Mais uma no meio de milhões e milhões de pessoas.

Não guardo lágrimas. Guardo palavras. Elas estão enchendo meus bolsos como dinheiro... Aliás, palavras poderiam ser a moeda corrente do mundo atual. Que papel que nada! O negócio é trocar palavras. Palavras simples, simpáticas... É, mas se palavras fosse moeda corrente... o mundo se afundaria... Mas voltando. Eu guardo palavras. Na verdade, coleciono palavras. Palavras bonitas sempre estão em minhas cartas, e-mails e declarações de amor. Palavras rudes, guardo para momentos de raiva ou de pura histeria. Tenho algumas palavras de consolo escondida na carteira para amigos que possam precisar.
Ah, mas minhas preferidas ainda são as palavras de carinho e amor. Palavras que tocam nossos corações e nos deixam envaidecidos. Palavras que esperamos escutar e que gostamos de falar. Há pessoas que falem palavras bonitas apenas para conquistar alguém. Esse tipo de pessoa é hipócrita e ridícula, não sabe o que está perdendo ao sentir algo bonito e verdadeiro.

Ultimamente não tenho escrito. Venho, apenas, pensando na vida. Eu tardo em meus pensamentos. É como se fugisse do mundo. Gostaria de estar acompanhada nesses momentos para poder falar de minhas loucuras, minhas bobagens. Mas ela está tão longe de mim! E, ao mesmo tempo, tão perto que quase me assusta! Os toques do piano de Yann Tiersen me dão saudade, mais saudade! O mundo está colorido! Minhas nuvens viajam ao seu encontro... Quanto de mim está em você? Porque me sinto melhor em seus braços e quando estou longe, me sinto tão... tão sozinha? Às vezes não consigo falar ou demonstrar! Me sinto uma egoísta, às vezes... Sinto medo também! Sinto tantas coisas diferentes ao mesmo tempo... Sinto sua pele, sua boca, suas mãos, sua risada, seu olhar, sua voz... Sou um abismo! Sou boba? Sou tua... Sou isto: nada mais nada menos. Me afogo em minhas lágrimas e me refugio em minhas alegrias. Mas quando estou ao teu lado, sou apenas eu. Alegre, triste, rindo, chorando...

Lost in thoughts
Trying to clime my mountains
Swimming in the storm
Screaming my fears to the word

A roupa suja
que suja
meu corpo sujo

A saia justa
que, justamente,
ficou justa

Bobagens
Bobagens
Bobagens

Quero apenas uma dose
de loucura
para enlouquecer
minha mente louca

Sinceramente
a sinceridade
não atinge
minha honestidade

Bobagens
Bobagens
Bobagens

Muitas coisas na cabeça, mas poucas palavras para dizer. Tento me centrar, mas meu equilibrio escapa de mim. Meu coração continua a bater, mas as horas demoram a passar. Tento, mas não consigo.

Um pouco mais do meu "eu" romântica...

O seu olhar mistura o meu
Meu coração é todo seu
Vozes, loucuras, sussurros,
Gotas de oceano
ou um resto de pano
Pequeno, grande
Sonho ou céu
Palavras são restos
E resto é muito pouco

Eu quero apenas você
Sentir, gozar
Perder minha solidão
num abraço seu
Ganhar seu coração
num gesto meu.

Apalpo o céu para ter certeza
Escuto o chão, limpo a janela
Em meus devaneios
fumo a fumaça da minha mente

Escorrego em azulejos
Impeço o homem de matar
Grito farpas, giro gritos
Enlouqueço e me demito

Me dê motivo para sorrir
Misturo meu corpo na água
Enterro meus pés na lama
Minha cabeça voa por aí e por ali

Chega chega chega
Chegada, partida
Paro e reflito
Durmo.

No Escurinho do Cinema

É no escurinho do cinema
Que o melhor beijo é roubado
É no escurinho do cinema
Que as mãos se encontram pela primeira vez
É no escurinho do cinema
Que coisas realmente “estranhas” acontecem.

Gostaria de saber o dom de voar
Assim não precisaria estar perto de ti
apenas por pensamento

Gostaria de ter o dom de tocar
E eu faria mil canções
para te abençoar

Gostaria de ter o dom da pintura
Assim pintaria todo o céu
com as cores que te agradam

Quero poder conseguir te fazer sorrir sempre
Não apenas com minhas meninices
Mas também com meu coração

Meu sonho é poder estar com você
Ontem, hoje, amanhã
e até quando nos permitir

Um carinho maior que esse
Nem o universo poderá te dar.

"Sou alguém que se perdeu na multidão, alguém a quem as luzes esfuziantes deixaram estonteado, um zero que viu tudo ao seu redor reduzido a escárnio"
Henry Miller

minhas palavras dormem com meus sonhos
e misturam-se entre desejos e gritos
entre raiva e mansidão

minhas palavras voam com os pássaros
não pousam com freqüência em meus papéis
mas cantam em minha mente

minhas palavras fogem de mim
fogem e reaparecem
mas não me dizem nada

minhas palavras estão sempre por aqui
por ali, por todos os lados
apenas não pertencem mais a mim.

Para minha flor...

Ela é uma flor e sorri
Ela é uma flor e têm os olhos mais lindos e azuis
Ela é uma flor e sua voz é sonora
Ela é uma flor e não têm espinhos
Ela é uma flor e tem um toque suave
Ela é uma flor... e cheira a jasmim

Fim do mundo?

O céu dividiu-se em múltiplos pedaços
Cada pedaço sugou algo e alguém
Cada pedaço fechou-se como uma rosa
O céu escureceu, o mundo encurtou
As palavras derreteram
Os sonhos murcharam
As feridas não cicatrizaram
As casas quebraram...

Tudo mudou
Mas tudo continuou igual.

???

Consequente
Comumente
Como mente
Congruente
Com urgência
Como sente?
(In) consequente
Inteiramente
Sinceramente
Felizmente
Minha mente

sentiu perder o chão. ou perdia qualquer coisa sua. sensações. vozes. alma. perdia-se entre tropeços e sonhos. levantou-se. o chão não era mais seu, mas de sua cabeça. o mundo girava e não sabia onde pararia. viu um banco por perto e sentou-se. deitou a cabeça pra trás e fechou os olhos. suas mãos suavam. seus joelhos batiam um contra o outro. um frio no calor de quarenta graus a atacou. tremia cada vez mais. perdia cada vez mais. por onde andará sua alma? por onde andará seu corpo? em que ponto poderia parar seu olhar? em que toques encontraria suas mãos? cada segundo que passava fazia com que sentisse mais medo. o pesadelo tomou conta de sua realidade. o sonho perdeu-se naquele abismo. não pensou mais nada. nada mais era seu para se pensar. nada mais tinha o mesmo gosto. tudo perdeu-se.

Violão

O violão estava encostado há alguns meses. E, por meses, ele o encarava. Sentia o peito doer, a garganta secar, seus olhos marejavam. Sentia que não conseguiria mais tocar. Caminhava por horas e horas e só pensava em uma coisa: queria tocar de novo para ela. Ela que o tocara de uma maneira que nenhuma outra o havia tocado antes, que olhava para ele com aqueles grandes olhos azuis querendo o devorar. Caminhava, caminhava e não conseguia deixar de pensar nela, em seu toque sempre suave, seu beijo cheio de desejo, sua voz que enchia o coração de felicidade. Pensou até em vender o violão. Mas não, era presente dela. Relíquia. Chegava em casa, sentava no sofá e o encarava por horas. Sentia medo, vertigem. Não queria chorar ao tocar, mas já chorava só de lembrar. O coração arrependido gritava seu nome, sua vida, seu desejo. Pegou o violão em suas mãos. Colocou no colo devagar. Fechou os olhos e começou a dedilhar. Ao abrir os olhos, atônito, pensou “porque não?”. Saiu correndo com o violão nas mãos. Era longe, mas chegaria. Chegaria cansado e com a voz embargada. Estava frio aquela noite. Saiu sem casaco, apenas um cachecol no pescoço. Corria o mais depressa que conseguia. Chegou à praça onde a conheceu. Sentou num banco, suado, cansado e começou a dedilhar devagar, baixinho. Gritou uma, duas, três vezes. Chorava demais. As putas que faziam ponto ali, ficaram assustadas no começo, mas quando perceberam a dor daquele homem, daquelas músicas dedilhadas com o coração, sentiram vontade de chorar. Ele cantou e a lua apareceu enorme, cheia, iluminando sua serenata. Serenata que seria escutada pelo bairro todo, por corações apaixonados, por corações despedaçados. E, assim, ele fez todos os dias até conseguir chegar no coração daquela mulher que ele amava e que sempre amaria.

quero todas suas cores
todos os seus mares
quero todos seus olhares

quero manchar meu corpo
com seu grito
com seu atrito

quero a escuridão
quatro paredes e um batom
e seu gosto dentro de mim.

Deitada em minha cama e de olhos fechados, te vejo
Sinto você caminhar por meu corpo
Seu desejo me chamando e me roubando

Sinto as palavras quentes que saem de sua voz
Corro pensamentos e te encontro em mim
Me possuindo, me rasgando

Penetro em sua pele como se fosse a primeira vez
Sugo teus lábios,
Reintero pedidos

Realizo sonhos antes perdidos
Grito seu nome e me apeteço.

estou me rasgando, me quebrando
os cacos estão se espalhando
e não consigo juntá-los.

estou me enlouquecendo
meu corpo clama em chamas
e chama por clemência.

quero gritar
mas a voz está presa em minha garganta
e me apavora.

meu sonho está machucado,
a paz está perdida
e eu não encontro respostas.

tira esse pavor de mim
essa vontade de chorar
essa dor que não cessa.

Silêncio…
Eu só penso silêncio
É o som mais adorável, mais calmo.
Sento para ler um livro

(Silêncio)

Sento para escutar música

(Silêncio)

Assisto TV, brigo comigo

(Silêncio)

Tudo me lembra o silêncio
O silêncio quanto mais alto, melhor
O silêncio quanto mais longo, melhor
Meu peito bate no compasso do silêncio

Silêncio…

Felicidade, Tristeza, Luz, Escuridão
Tudo é silêncio.

Silêncio…

Era um dia como outro qualquer. Levantou cedo, arrumou suas coisas na bolsa e saiu. Aquela noite, viajaria. Voltaria do trabalho para arrumar a mala correndo. Esperava aquela viagem há algum tempo. Sentia seu coração bater mais forte só de pensar. Há algum tempo não sentia seu corpo tremer só de pensar em alguém, nem o coração bater mais forte porque veria a pessoa amada. Trabalhou, almoçou, trabalhou mais um pouco, leu algumas revistas. Um típico dia de serviço.
Voltando para casa, o sol quente em sua cabeça, sentiu alguma coisa mudar. O vento mudara de posição rapidamente, o trânsito que sempre estava apressado, parecia ter parado, não se ouvia um único som de motor funcionando, buzinas gritando, fumaça poluindo o ar. Tudo mudara. Estava tudo parado. Menos ela. Estava ali, andando com mais pressa do que o normal, quase correndo. Uma angústia tomou posse de seu corpo. Sentiu-se perdida entre seus pensamentos. Sentiu-se perdida nas batidas de seu coração. E, de repente, como um soco, a vida voltou ao normal. O barulho, a fumaça intoxicante, pessoas gritando, o mundo girando, girando, girando.
Voltou para casa assustada e arrumou a mala rapidamente. Comeu alguma coisa e pegou um táxi para a rodoviária. Pegou sua passagem e viu a plataforma: 34. Enquanto descia a escada rolante, escutou sinos batendo espaçadamente. Não lembrava de nenhuma igreja ali por perto, ou será que os sinos da igreja perto de sua casa a invadiram? Sentiu-se muito estranha. Coisas estranhas acontecendo. Olhou o relógio: 21 horas e 42 minutos. Ainda tinha quinze minutos antes de pegar o ônibus. Virou-se para ir a plataforma. Assustada viu o relógio novamente: grande, com os ponteiros correndo. O espaço parecia espelhado, mas ela era a única pessoa que não estava duplicada. Era a única que se movimentava. Toda a rodoviária parada, os ônibus no meio da pista, pessoas comendo seus pães de queijo e bebendo seus cafés. O líquido parado no ar! Mais uma batida de sino. O relógio parou. Era o horário de seu embarque e não conseguia sair dali. Olhava em torno e ninguém parecia se importar. Ninguém se importava se ela estava feliz, se estava triste, se gritava, chorava. Estavam todos ali com o mesmo destino: viajar.
Fechou os olhos e ao abri-los novamente, estava dentro do ônibus, deitada em sua poltrona. Pensou se tudo não passou de um sonho ou pesadelo. Pensou se ao querer que o tempo passasse tão depressa não o fez parar de vez para enlouquecê-la. Fechou os olhos novamente. A lembrança daquele belo olhar a fez dormir.

um pouco de mim e dela...

poesia de alice ruiz

assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você

parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido

alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido

alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido

agora não tem mais jeito
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura

já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei
parte da tua leitura

Trago flores porque te quero
Quero sonhos porque te espero
Mergulho em você porque tenho calor
Beijo-te porque tenho sede

Deliro em suas palavras
Devaneio em seu corpo
Quero tecer caminhos com suas mãos
E encontrar diamantes em seus olhos.

Eu busco no infinito do meu coração
Forças para poder te buscar
Eu grito seu nome
Eu grito seu cheiro
Eu grito sua voz

Me rasgo e me ralo
Me entorto
E te encontro em meus pensamentos

Eu te espero...

Me afoguei nas confissões que nunca confessei
Caí da montanha mais alta para sangrar ódio
Sentei numa almofada de pedras
Cochilei numa cama de espinhos
Me sinto pesada, leve, ao mesmo tempo
Morri em sonhos grotescos
Fingi ser imortal
Pretendi alcançar a lua, as estrelas
Mas só sofri com isso
Quero me afogar, cair, sentar, cochilar, fingir, pegar, morrer
Mas que seja tudo por você…

Meu relógio sangra tua ausência
como segundos que demoram a passar
e no silêncio de minha escuridão
sua voz me guia para mais perto de ti.

E, este silêncio que me ocupa,
traz lembranças de nossos dias,
a fumaça do meu cigarro misturando com o seu,
seu olhar penetrando o meu,
seu sorriso lindo, cheio de vida.

As horas que voam e que se tornou nossa inimiga,
a lua que foi nossa cúmplice nas noites quentes,
a chuva que batia na janela...

A saudade bate e aperta,
e o sangue que escorre
derrete minhas lágrimas.

Fica em mim o seu olhar
Sua boca
Sua mão
Sua voz...

Fico eu em você
E fica você em mim!

Ah, minha cama fria...
Minha vida que não é mais minha
Meus sonhos que voaram para longe.
Longe, você está de mim!
Ah, como quero seu sorriso junto ao meu!
Andar por aí, de mãos dadas
Enxugar suas lágrimas, te fazer feliz.
Mas longe, está você de mim!
Miro a lua cheia,
Que traz lembranças de nós.
Abraçadas
Ai, longe, você está de mim!

Seus olhos me invadem vorazmente
Seu cheiro me perfuma e inebria
Seu corpo macio branco nu
Me leva a lugares que nunca estive
Sua voz sussurrando em meus ouvidos
Seus gemidos, sua boca,
Minha perdição
O suor escorrendo e misturando com o meu
Sua mão me acaricia e seus beijos me excitam

tirando o casaco e colocando em cima da cadeira, com cara de cansado e olheira

sempre me culpei por ser um fraco. casei com uma mulher linda, mas que mostrou ser uma pessoa odiosa. tinha ciúmes até de nossa filha! eu a amava tanto. nunca a perdoarei por não ter deixado a menina comigo, também fui um fraco por não pedir a guarda dela. queria apenas saber onde ela se encontra, como será que está. feliz? triste? é muita angústia para um coração de pai. nunca me perdoarei. nunca!