palavras que não se podem dizer
olhares que não se podem trocar
toques proibidos
sonhos são para serem sonhados
e realizados, um dia, talvez...

poderia voltar atrás?
não há mais tempo
e o futuro o que nos espera?
surpresas e [des]encontros...

palavras que não se podem dizer
proibido sentimento
proibido?

aos meus leitores portugueses, um muito obrigada pelas visitas... e também um muito obrigada a todos meus leitores, que de certa forma param por aqui [sem querer ou por querer]...

feliz natal a todos e que 2012 chegue cheio de surpresas e renovações!!!

bjos!!!

a solidão acabou
carrego você em minhas lembranças
e em meu coração.

esse sorriso envergonhado
esses lindos olhos brilhantes
derretem este meu insensível coração

seu corpo procura meus toques
caminho que pertence a mim
semente de carinho que amadurece

os sonhos se perdem
tornam-se reais e belos
então aperte minha mão.


*_*_*_*_*_*_*_*_*


caminhos que se cruzam
                sempre
o seu
              o meu
                            o nosso

destino que se compreende
            em um só amor.

Desejos


Um dia eu disse a uma pessoa muito especial que eu não sabia o que queria da vida. Nesses últimos dias tenho pensado bastante nisso e cheguei a uma conclusão:
Eu quero me apaixonar. Quero conquistar essa pessoa também, todos os dias um pouco, para o resto de nossas vidas. Quero acordar com um sorriso no rosto só pelo fato de eu estar com ela, só pelo fato de que naquele dia eu falarei com ela, eu a verei ou apenas mandarei uma mensagem carinhosa de “Bom dia!”. Quero levar café na cama, quero estar na vida dela não só nos bons momentos, mas nos momentos mais difíceis. Quero enxugar suas lágrimas, pegar em sua mão. Quero mimá-la sempre. Quero que o ato de olhar para ela seja o momento mais lindo do meu dia e toda vez me surpreender com seu sorriso envergonhado, com seu olhar brilhando. Quero poder ler para ela aquela frase maravilhosa, engraçada ou horrível que acabei de ler em um livro ou revista. Assistir a filmes debaixo da coberta, no escuro (mesmo não gostando de assistir filmes no escuro), comendo pipoca e segurando sua mão. Quero todos os momentos clichês que um amor pode proporcionar. Risadas, choros, brigas, pazes.
Eu quero uma casa com piscina, uma mesa de sinuca e um jardim cheio de flores e hortinhas. Quero uma moto. Quero viajar e conhecer o Brasil, a Europa. Quero fotografar todos os momentos importantes. Quero ter pimpolhos tão pimpolhos que me deixem orgulhosa de ser mãe deles. Quero brigar pelo último pedaço de bolo e fazer com que ela queira mais do que eu para no final, quando ela conseguir o tão desejado bolo, eu veja um sorriso nos lábios dela. Quero cantar suas musicas preferidas, escrever poesias, ler um livro enquanto ela escuta aquele CD que tanto gosta pela enésima vez.
Quero poder amá-la. Quero aprender a dividir. Quero aprender a desejar. Quero aprender a ser feliz. Quero aprender a ser gentil e carinhosa. Quero aprender a ser mimada. Quero aprender a sorrir. Quero aprender a conversar. Quero aprender a não ter vergonha de chorar. Quero aprender a trocar.  Quero aprender a compartilhar. Quero aprender a desabafar. Quero aprender a ser sozinha e também a ser duas. Quero aprender a não ter medo. Quero aprender a relaxar. E quero que tudo isso aconteça com ela.
Quero sentir em meu peito aquela sensação de paz. Aquela sensação de desejo e amor que uma pessoa pode proporcionar a outra. Mas o mais importante eu quero que tudo isso aconteça por ela estar ao meu lado. Eu quero dividir esse prazer, que ela possa sentir o mesmo que eu. E todo dia, ser um dia diferente do outro. Um dia feliz e feliz e feliz e feliz!

Da mesma maneira que sofri ao fugir de ti, hoje eu sofro por não te ter...
 

"Sua mão passeou pelo meu corpo como se já o conhecesse
Respondendo a seus lábios macios e doces, os meus se entregaram
E arrepiada e faminta, estremeci de desejo
Voraz
Fugaz
Silêncio marcado pela respiração ofegante
Suores
Cheiros
Mais um beijo, mais um abraço
O olhar que brilhava e o meu que pedia: Mais
Quando a realidade chegou até nós
Silenciosamente deitamos uma ao lado da outra
O sono chegou e o silêncio noturno nos embalou como canção de ninar."

Me perdi em seus lábios doces e macios
E, de repente, as coisas viraram pelo avesso
As decisões outrora feitas, viraram pó
Desconsertaram a mim e a minha ignorância
Assumindo humildemente e envergonhada o erro
Assumindo que a passagem do tempo mudou
Assumindo insegurança e infelicidade

Assumindo que assim sou, que assim me fiz
Perdida, triste, dura.

A casa vazia não faz mais sentindo. 
E será que algum dia fez? 
Será que algum dia as palavras foram suficientes?
Ou apenas o dia por vir era suficiente?

Com toques, olhares, sabores
O suor escorrendo pelo corpo como chuva
A vida ressuscitando vida, prazeres
Como as horas passaram sem perceber?

Mas a dor que traz vida, vida que traz morte
Segredos que se abrem numa cratera
E desaguam nas montanhas e nos verdes
Sentidos que se abrem, pensamentos que se perdem.

Aqui, as palavras voam como pássaros,
Trazem paz, segurança e amor
Toque.
Olhar.
Sabor.

[inspirado no filme italiano Io sono l'amore, Um sonho de amor]

Esperem só [Heinrich Heine]

Só porque arraso quando arrojo
Raios, acham que não sei troar.
Ora, meus senhores, ao contrário:
Na arte do trovão não sou pior!

No devido dia, eu ponho à prova,
Quem duvida agora é só esperar;
O meu peito então vai trovejar,
E trincar os céus, a minha voz!

No fragor daquele furacão,
Os carvalho secos vão rachar,
Os castelos vão desmoronar,
Velhas catedrais, ruir ao chão!


 
a luz da lua ilumina meu quarto ao som de art blakey.

Conversa com o espelho

 Se o tempo passa
      e você não sente

Um olhar pode estar por aí
      procurando por você

Você que vaga pelos sonhos
      e grita por socorro

Que anseia rasgar o céu
      com um batom gasto

Hoje choveu vinho
      no meu jardim

E você preocupada
      com esse estúpido amor

Querida, há muito mais dor no mundo
      do que a dor de um coração machucado.

O que você pensa quando está sozinho, solitário? O que faz?

Hoje estava voltando do meu café, agora a tarde, e passei em frente a um bar perto de casa onde alguns amigos freqüentam e toda vez que passo por lá, faça chuva, faça sol, um amigo está sempre na esma mesa, sozinho, bebendo sua cervejinha. Não sei como é para ele estar ali, apensa com seus pensamentos, mas eu compartilho dessa solidão. Não é fácil sentir-se solitário. E muitas vezes me sinto vazia também. Freqüentemente estou em dúvida. Dúvida se devo fazer outra graduação, se faço, não qual curso devo fazer. Ultimamente minha cabeça não funciona mais, esqueço as coisas facilmente, sinto-me fatigada muito depressa. Não sei. Se devo deixar me apaixonar de novo, ou não. É tudo muito confuso. Sinto que não realizei tudo o que gostaria, mas também não fiz nada para realizar meus sonhos, meus desejos, que vão constantemente trocando, hoje eu quero uma coisa, amanhã quero outra...

Mesmo quando estou com meus amigos, que amo, sinto-me solitária. Posso estar ali com eles, conversando, rindo, mas por dentro eu me sinto tão solitária, tão triste, que não sei descrever, não sei o que fazer com isso. A vida é simples? Complicada? Difícil? Todos temos nossos problemas, nossa dúvidas, nossas perdas e ganhos, mas será que algum dia estivemos realmente felizes? Alguém sabe explicar a felicidade? O que é esse sentimento?

Gota por gota
o vinho passeia por minha boca
os sentidos sobrevoando
o pensamento destilando
a vontade de sentir
de beijar,
de pegar.

Gota por gota
os sonhos vão se desfazendo
ao som da guitarra que chora
e se refaz sentimentos
desejos,
possibilidades.

Gota por gota
meu corpo se corrói
meu corpo procura
meu corpo deseja
meu corpo se perde...

Inocência

Correndo pelo pátio, a pequena Sarah chorava, enquanto suas mãos sujas de sangue doíam. Mais dolorido ainda estava seu coração, tão pequeno e que outrora não sofria. O pátio não parecia tão grande quando ela e seus amiguinhos brincavam, os cinco minutos que levou para percorrê-lo todo, foram os mais demorados de sua curta vida. Vida que ficaria marcada por aquele momento. Por um segundo imaginou-se dali vinte anos, pensando nesse exato momento de tortura e solidão, percorrendo o pátio mais longo de toda sua infância. Infância que terminou. Infância que ficou para trás com as brincadeiras. Agora ela era gente grande. Agora sairia para trabalhar como sua irmã mais velha. Agora sentiria na pele o cansaço do dia e da noite. Agora... O agora ficou pra trás, só existe o futuro a partir desse acontecimento. Só existe a vida que ela ainda não conhece e que a surpreenderá.

Platonices

Eu quero gritar
Sufocar
Quero rezar a lenda
Que meu amor é novo

Eu quero beijar
Sua boca sedenta
Meu corpo que chama o seu
Que não responde

Correr faz diferença?
O impossível da verdade
É a mentira que ela nos conta

Esquecer? Pensar em outras?
Só me faz pensar mais
Nos olhos que não me vêem.

Notas de um dia bizarro

NOTA 1

Em frente ao meu local de trabalho há uma casa onde moram dois idosos. Um senhor e uma senhora. Cotidianamente, eu e minhas colegas de trabalho, vemos esse casal limpando, saindo e voltando, abrindo e fechando o portão. O que ninguém sabia era o que acontecia por trás daquelas paredes. Não que eu ficasse imaginando, mas em nossas mentes, um casal daquela idade (cerca de 70, 80 anos cada um), pensávamos que era um casal que viveu juntos por anos, passaram por momentos turbulentos, filhos, netos, talvez bisnetos. Hoje a senhora cai e uma de nós fomos lá saber como ela estava, pois havia uma ambulância em frente a casa. Não é que minha colega descobre que esse casal, na verdade, não é um casal. O senhor é divorciado de sua esposa há anos, ela foi babá dos filhos desse matrimônio rompido. E lá moram eles, há anos, juntos.

NOTA 2

Estava eu na academia e a coisa mais bizarra do meu dia aconteceu: uma senhora arranca a bermuda de coton dela e fica arrumando a calcinha na frente de todos. Homens e mulheres. E ela nem se deu conta do que fez!

NOTA 3

Pedimos uma pizza que levou mais de uma hora e meia para chegar. Quando chegou, estava fria e sem refrigerante.

NOTA 4


A vida se manifestando de forma agressiva, desigual. Cansada de estar sempre atrás. Cansada de nunca ter e nunca ser desejada pelas pessoas que me interesso.
Irritação.
Depressão.
Angústia.
Não quero passar por isso novamente.

E ponto.

Em busca do prazer, encontrei a solidão...

O amor derruba
prédio e canções
Vida algum se prende
em mentes e mansões
Corações de pedra
Corações de gelo
Permita-me chegar
no momento perdido
Permita-me abraçar
o começo de tudo
O amor não morde
não grita e não pede
O corpo não mente
chama e prende
O silêncio abafa
chora reclama
Cantei céus e estrelas
e olhos nenhum me amam.

Enquanto sigo os passos [curtos] da vida, continuo deixando meu coração bater despreocupado e descompromissado. Viajando pelos sonhos da realidade ou pela realidade de meus sonhos mais obscuros, pressinto que o futuro sempre tarda, mas não falha nunca. À procura de um rumo que me deixe mais leve e feliz, desfaço-me de laços, de pesadelos, tento desmaterializar tudo em mim e me permitir a novas experiências, mesmo que doam [mais nos outros do que em mim]...

Talvez... Apenas um talvez que me separa de tudo e de todos. Um talvez sempre faz qualquer diferença...

Por que escrever versos na areia da praia, que o mar pode apagar, quando se pode escrevê-los com as estrelas do céu?

Jacint Verdaguer - clérigo e escritor catalão

Howl [2010] - dir. Rob Epstein e Jeffrey Friedman



O livro "Uivo e outros poemas" do poeta beat Allen Ginsberg foi publicado nos final dos anos 50 e gerou polêmicas pelas palavras usadas pelo poeta. Tanto o editor do livro, quanto Ginsberg sofreram um processo para censurá-lo, mas foi liberado pela censura e rendeu milhões de cópias, vendidas até hoje.
O filme "Howl", estrelado pelo ator James Franco no papel do poeta beat, é uma mistura de poesia visual, ótimas atuações, uma edição brilhante e com muita animação.
o filme não tem segredo: gira em torno de uma entrevista que Ginsberg concede a alguém sobre sua vida, sua poesia, seus amores e o porque começou a escrever, o processo que tentou tirar o livro das estantes e cenas do poeta declamando fervorosamente seu poema para amigos, além do poema ser seguido de animações tão "desconcertantes" quanto suas palavras. Não precisa de mais nada, apenas deliciar-se com as imagens e as palavras.

"Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
asrrastando-se pelas ruas do bairro negro em busca
de uma dose violenta de qualquer coisa..."

Infelizmente é um filme para poucos, para quem gosta de poesia e para quem se interessa pela geração beat, grupo de poetas que deixou os EUA fervorosa com suas palavras "obscenas" e rasgadas.

A beleza da poesia está no sentir as palavras...

Se te pareço noturna
e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse...

Hilda Hilst

Há [...] dois sentidos do espaço: o espaço quinestético, aquele do toque e do movimento, infinito, isotrópico, homogêneo, tridimensional, cujo modelo rigoroso é o espaço cartesiano. E o espaço visual, não infinito, não isotrópico, não homogêneo, cuja tridimensionalidade é imaginária; o modelo geométrico dele é duvidoso e é precisamente em sua procura que se obstina, de início, a fantasia.

Da cena à tela, ou o espaço da representação, in O olho interminável [cinema e pintura], Jacques Aumont.

mito da semana

LILITH - Demônio feminino da noite e dos locais malditos das lendas assírias, que, na tradição rabínica, seduziu Adão antes da chegada de Eva, dando origem a uma geração de demônios.

[Dicionário Rideel de Mitologia]

Lilith também é conhecida como Lua Negra, li em algum lugar (desculpem-me, mas não me recordo onde), que quando estamos na lua cheia, Lilith invade sonhos masculinos para seduzir os homens.

quero manter o silêncio de minh'alma
parar de proferir palavras fúteis e sem sentidos
quero crescer na humildade das letras
que voam o paraíso das bibliotecas.

quero chover sorrisos
e cantar lágrimas.

...

o ser insustentável que me habita
morre a cada segundo um pouco
a cada segundo eu envelheço mais
e mais e mais e mais.

os sonhos derretem algodão-doce
e eu queimo com minha saudade inesgotável.

não importa o jeito como me olhas, mas sim como me tocas
seus lábios já não estão mais por perto
a tênue linha entre minha loucura e sua lucidez
está no barco indo rumo ao norte

o frio da cama será sempre o mesmo
com ou sem você...

“... uma longa experimentação (...) o força primeiramente a buscar um „lugar‟, operação já difícil, depois a encontrar „aliados‟, depois a renunciar progressivamente à interpretação, a construir fluxo por fluxo e segmento por segmento as linhas de experimentação...”

Deleuze e Guattari

I really don't know how life works...

Ontem eu era areia na praia. Não sabia que o céu era menor que eu. Não sabia que o mundo seria menor que eu. As palavras são detalhes. São desenhos em minha rotina de solidão e trabalho.

Não sei como a vida funciona. Por isso tento sobreviver um dia de cada vez. E todos os dias de uma vez...