o socorro me aflige. e daí? tudo me aflige. seu asco me aflige. seu preconceito. sua má informação. sua violência. seu estatuto está todo errado. você não sabem quem sou, mas sei bens quem és. faz pouco caso com tuas leis. faz pouco caso com suas vidas. enquanto um corre, o outro persegue e todos saem feridos. ferido de alma. ferido de vergonha. ferido na carne. ferido no sangue que escorre em seus bueiros infectados de ódio. sou pleno dos meus direitos. tu corres para me tirá-los.
o medo me corrói. o medo da falta. o medo do excesso. o medo de imagens que invadem meus olhos sem pedir licença. o medo me abraça ao ver balas atingindo peles inocentes. paus voando em direção do nada e acertando o alvo. sou violentada de notícias desrespeitosas. de vidas sendo maltratadas. tenho medo daquele riso ridículo. tenho medo da falta d'água. medo de mais quatro anos. medo do ódio. das respostas. do vento.
queria escrever linhas mais alegres. queria sorrir mais. queria ter motivos de orgulho. queria ter menos vergonha de viver num lugar hipócrita. sinto-me enlutada pela educação. enlutada pela regressão que esse país passa a cada dia. enlutada pela saúde. enlutada pelos professores. pela vida.

Quem pensas que és?

Você não sabe quem sou,
para dizer que não mereço amar.
Você sabe o que é amar?
Você sabe o que é respeitar?
Sua religião não me domina
E seu Deus não é melhor que o meu
e ele me respeita
Enquanto você pede a violência
Eu respondo com amor
Enquanto você luta pela ódio
Eu respondo com generosidade
Enquanto você grita impropérios
Eu sussurro gratidão.
Gratidão por ser quem sou,
por ter pessoas que me amam,
por respeitar meu próximo.
E se você me nega respeito,
quem pensas que és?