O amor derruba
prédio e canções
Vida algum se prende
em mentes e mansões
Corações de pedra
Corações de gelo
Permita-me chegar
no momento perdido
Permita-me abraçar
o começo de tudo
O amor não morde
não grita e não pede
O corpo não mente
chama e prende
O silêncio abafa
chora reclama
Cantei céus e estrelas
e olhos nenhum me amam.

Enquanto sigo os passos [curtos] da vida, continuo deixando meu coração bater despreocupado e descompromissado. Viajando pelos sonhos da realidade ou pela realidade de meus sonhos mais obscuros, pressinto que o futuro sempre tarda, mas não falha nunca. À procura de um rumo que me deixe mais leve e feliz, desfaço-me de laços, de pesadelos, tento desmaterializar tudo em mim e me permitir a novas experiências, mesmo que doam [mais nos outros do que em mim]...

Talvez... Apenas um talvez que me separa de tudo e de todos. Um talvez sempre faz qualquer diferença...

Por que escrever versos na areia da praia, que o mar pode apagar, quando se pode escrevê-los com as estrelas do céu?

Jacint Verdaguer - clérigo e escritor catalão