como colocar a cabeça no lugar?
como sentir a vida sem sentir dor?
como viver se não há um porquê...?
essa dor no peito, esses pensamentos que não param, são mais doloridos que a dor das agulhas de minha tatuagem...

Não sei, mas muitas vezes sinto que irei enlouquecer. Não enlouquecer no sentido da palavra de ficar louca, pinel, mas no sentindo de não conseguir mais controlar minha fala, minhas vontades... Assim como acontece em meus sonhos. É muito estranho! Um dia eu sonho com uma, no outro com outra, e assim sucessivamente. Acordo como se tivesse completamente fora de mim. Em outro mundo. Sem sentido. Sem saudade.
Ah, como tive saudade! E saudade quando é para doer, dói mais que a agulha da tatuagem rasgando sua pele. Agora sinto prazer nos sonhos, sinto que quero realizar esses sonhos, mas na vida real, a história é outra. Enquanto uma não quer me conhecer, a outra nem sabe meu nome. Enquanto uma já travei certo contato, a outra simplesmente não existe no mundo virtual.

É, a vida nunca será um conto de fadas e os sonhos, quase nunca, poderão ser realizados.

E, sim, ainda sonho com ela também!!! Tô ferrada!!! =/

perdida em meu silêncio. perdida na escura noite solitária, onde o vazio faz mais barulhos que os vizinhos. pensamentos distraem e destroem meu ser inabitável. onde posso me encontrar? onde sou aquilo que posso ser? onde encontrar palavras de conforto e abraços de amor? o sonho se torna pesadelo e rodeia a solidão. meu corpo entre o silêncio obscuro e a dor infame; entre o vazio e a falta; entre o pesadelo e a loucura.

posso me encontrar em seus braços algum dia? você me receberá? posso novamente olhar em seus olhos e me encontrar?

como gostaria de te encontrar agora...

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

(...)

[Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade]

meu desejo inefável. ela passa e eu saboreio o momento divino. os olhos meigos, disfarçados, me atacam com força. me assanham. me diluem. cada gesto me tira dessa agonia de não poder tocá-la, de não poder sonhá-la. seus lábios... é um alívio poder encontrá-los tão próximo! mas é um martírio não poder beijá-los!
sorrisos amarelos, desvios de olhares. sensatas sensações que arrebatam o coração. possíveis futuros, possíveis toques. o gosto ainda desconhecido e tão desejado. desejo. desejo. desejo. mais um encontro de olhares e mais sorrisos amarelos. timidez. simplicidade. o toque que chega a doses homeopáticas. gotas de chuva começam a cair.
você passa. o tempo passa a ser outro quando se vai. meu sorriso some. minha voz não sai. desejo. desejo reprimido. timidez. sensações.