Ecos da solidão

A rua está deserta. Somente eu andava por sua calçada, olhando o céu azul, as árvores e as flores que brotavam timidamente em seus cantos. Não sentia meu corpo andar, meus pés pareciam pisar em nuvens. Na minha cabeça só a sua imagem. Queria correr pra te ver, mas a cada passo que caminhava não via mais nada além das árvores e das flores. As casas não existiam. Bem lá no fundo eu via uma fumaça branca. Sua casa talvez? Não sei. Queria chegar logo, mas a distância não diminuía. De repente a fumaça tornou-se negra e gritos ecoavam em minha cabeça. “Me espere, estou chegando”, gritei pra ti. Não houve resposta. Senti meu coração bater muito forte e chorei. Chorei porque não conseguia correr; porque não conseguia chegar; porque não podia te ver; porque os gritos não paravam de ecoar em minha cabeça. Senti uma vertigem e parei. Fechei os olhos e tudo ao redor mudou. As árvores estavam cobertas por uma camada branca, as flores mortas e flocos de neve caía sobre meu corpo. Comecei a sentir frio, os lábios tremiam. Meu pensamento chamou por socorro. Gritei: nada. Gritei seu nome: nada. Nenhuma resposta. Ao cair no chão de frio, desmaiei. Ou morri. Não sei. Só sei que sua imagem não saía de minha cabeça.

Dúvidas?

Ás vezes não sei se o dia sobe ou se o dia desce
Se o coração bate ou se ele pulsa
Se é verdade que céu sem estrelas é sinal de chuva
Se as nuvens são de algodão-doce...
Será que vivemos no virtual?
Porque quando amanhece, queremos que a noite chegue
Será que é difícil viver um dia de cada vez, sem atropelar o curso real da vida?
Porque estamos sempre com pressa?
Onde a vida pára e onde ela termina?
Se fizéssemos menos perguntas e ficássemos apenas no agora,
Poderíamos ser pessoas mais felizes.

Se chove você me pede pra enxugar suas lágrimas
A rua vazia, meu coração solitário
Páginas de um diário escrito de trás pra frente
Sonho acordar desse pesadelo e te encontrar...

Encontrar ao meu lado, seu corpo, seu olhar
Sentir o calor do quarto, o ar com seu cheiro
Quero testar a vontade de te beijar e abraçar
Viajar no pensamento e lembrar de tudo isso depois
Escutando a música de sua voz...

Carolina Mantovani

loucuras de uma mente (um pouco) perturbada

entrando (em algum lugar), roupa branca e uma boneca na mão

eu era apenas uma criança, tinha meus seis anos de idade e brincava com minha boneca. mamãe gritava e chorava no quarto. papai se aproximou, deu um beijo em meu rosto e foi embora. até hoje vejo aquela porta se abrindo e meu pai indo embora. nunca mais voltou. carrego minha boneca para não esquecer esse dia jamais. mamãe também nunca deixou de me lembrar que ele havia ido embora por minha causa. ela sempre me batia. ele nunca me salvou.

para o dia os namorados



já imaginava seu gosto doce em minha boca, seu olhar sobre o meu e a insinuação de nossos corpos. só de conversar contigo pelo telefone, já imaginei o que aconteceria conosco. paixão. no começo é aquele ardor, uma ânsia de nos vermos todos os dias, boca com boca, gostos se misturando num desejo ardente. amor. depois vem o sossego, o coração calmo, sentindo, prevenindo, recebendo e doando carinho, o ciúmes, apesar de presente, indica que o outro ainda gosta da gente. cumplicidade. trocas de confissão, palavras de amor, gestos generosos e simples. saudade. o corpo clama pelo outro com a distância, pensamento sempre presente na imagem da outra pessoa. felicidade. isso tudo se misturando com o sonho, a ilusão, o perdão, o toque e a vontade de sempre estar sentindo mais e mais. e o melhor: junto com a pessoa que amamos.