E eu aqui estou a flutuar,
a boiar pelos ares poluídos
da cidade grande

Sentindo o coração bater
a vida prosseguir
sem sentido de viver

E o sangue pulsa meu corpo
todo esgotado
todo arrebentado

Sonho... sonho... sonho...
Mas quem diz
que o pesadelo acabou?

"(...) Ajoelhou-se trêmula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor: alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."
Trecho do livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector

Vida em Marte... Será?

Acabo de ler uma notícia no site do yahoo: Cientistas encontram primeira prova concreta de lago em Marte.

Tudo bem, mas e a foto? Creio que, de certa forma, não estamos sozinhos no universo. Afinal, se não existe apenas a Terra como planeta, porque existiria apenas terráqueos?

Notícia completa: Aqui
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O filme "Jean-Charles" teve sua pré-estréia ontem.

Para quem não lembra, Jean-Charles foi o brasileiro morto por policiais britânicos em 2006. Suspeito de ser um terrorista, os policiais o mataram no metrô, sem se importarem com a veracidade da acusação. O protagonista é interpretado por Selton Mello e o filme dirigido por Henrique Goldman.

Quando assistir ao filme, colocarei uma resenha em meu outro blog, o Meias Palavras.

Ultimamente não tenho escrito. Tenho falado. Me assusta saber que eu posso [consigo] falar. Escutar o som de minha voz, me deturpa. Não sei se incomodo ou me incomodo comigo. Só sei que tenho aprendido a falar. E esse aprender é louco. Inovador. Mas também tenho meus momentos silêncio. Onde posso me pegar pensando em mil e trocentas coisas diferentes em apenas um segundo. Saber pensar é libertador, ao mesmo tempo me prende. Não sei ser outra pessoa. Sei ser assim. Estranha. Quieta. Às vezes, falante. Mais uma no meio de milhões e milhões de pessoas.