Conversa (in)discreta

- João!!! Cara que bom que te encontrei!
- Fala Paulinho!!! tudo bem contigo, cara?
- Jhonny, você está sabendo da última?
- Que última?
- O Carlito não te contou, não?
- Não me contou nada, não. Aliás, não vejo Carlito desde futebol de domingo.
- Cara, mas se eu te contar, jura que não vai contar para o Magrelo?
- Prometo!
(João se aproximou de Paulinho)
- ...!!!
- Sério, cara?
- Seríssimo!
- E o Magrelo não tá sabendo?
- Nadinha de nada!
- Hahahaha... vai ser uma bomba!!!
(João se levanta)
- Paulinho, estou indo ali naquela loja ver uma roupa pra minha mulher, não quer me acompanhar e contar essa história direito?
- Vamos lá!!! Adoro fazer compras!!! (ironiza Paulinho)
(Os dois se levantam e vão à loja, conversando)

Em tempos como esse não sabemos mais o que fazer. Tudo parece estar desviando de seu curso normal. As pessoas já não se conhecem e nem se cumprimentam. Os sonhos estão acabando como algodão doce. A verdade agora é ambígua. A televisão ensina a amar com ódio e odiar com amor. Os livros estão sendo esquecidos para se ficar em frente da TV e do computador. As músicas ensinam coisas ruins, já não se fala mais de amor e liberdade como nas músicas dos Beatles. Em tempos como esse somos capazes de matar por um pedaço de pão. Colocamos, involuntariamente, crianças para procurar comida no lixão. Tememos ser assaltados, mortos, vitimados de qualquer jeito por nossos irmãos. Porque somos todos irmãos! Não respeitamos as diferenças, não respeitamos a nós mesmos. Somos infelizes, porque antigamente sabíamos exatamente o que queríamos, e hoje sabemos exatamente o que não queremos. Nossos sonhos estão virando nossos piores pesadelos! Estamos deixando escapar oportunidades. Somos inertes! estamos inertes! Deixamos nossas vidas fechadas para as pessoas que se aproximam e nos amam. Magoamos. Somos magoados. E para quê? Me respondam, por favor, para quê? Estamos sentenciados a viver numa prisão: nossas próprias casas. Já não saímos, já não amamos mais com tanta segurança, estamos entrando num abismo que pode nos engolir a qualquer momento. Para quê? Por quê? E para quem?

A verdade é que a cidade morreu
Os subúrbios faliram
E os estados estão na mão do poder

Meu sonho virou um mundo sem nuvens
Com chuva negra e ácida
E verdades escrachadas nas ruas

A música parou
O filme rolou
E a poesia morreu

Agora o céu virou sangue
Os olhos fecharam-se

E mais uma vida desapareceu na escuridão de seu próprio pesadelo.

"Tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu
(...)
ou foi o mundo então que cresceu?"

(Chico Buarque)

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Gostaria de agradecer aos meus amigos, meus leitores, minha família que me lêem... Em apenas um ano de blog e seis meses de contador de visitas, meu blog recebeu mais de mil visitasssssssssssss....
Muitoooooo obrigadaaaaaaaaaaaa...
Não deixem de ler....
Abraços....

Sabia que...

  • ...a trilogia O Senhor dos Anéis, obra literária de J.R.R. Tolkien em que se inspiraram os filmes do mesmo nome, demorou 12 anos a ser escrita?
  • ...em 1993, as populações de mais de 500 espécies de rãs e salamandras dos cinco continentes estavam em declínio?
  • ...a expressão OK pode ter surgido durante a Guerra da Secessão? Segundo tal teoria, quando as tropas do Norte voltavam para o quartel, depois de uma batalha sem nenhum tipo de baixa, anotavam a expressão "0 Killed".
  • ...Beethoven declarou em seu Testamento de Heilingenstadt que só continuaria a viver por causa da música?
  • ...o Pac-Man foi inspirado em pizza? A idéia de criá-lo surgiu durante um jantar entre alguns amigos, em que uma fatia da pizza da qual compartilhavam estava faltando. Seu primeiro nome foi Puck-Man, e logo foi abandonado pela companhia, pois "Puck" poderia virar um trocadilho maldoso entre falantes da língua inglesa.
  • ...a luz solar demora oito minutos e meio para atingir a Terra? Ela viaja cerca de 300 mil quilômetros por segundo.

Fonte: Wikipédia

Aviador maluco
Cazuza, 1989, última letra feita por ele

Eu acho que ele ficou maluco
de tanto voar e voar
nos cruzeiros malucos do ar

Socorro, meu comandante!
não tenho rota e nem sei mais a distância
entre o Pará e a China

Por que nós que salvamos vidas
somos pessoas tão fracas?
O piloto está maluco
e a nossa vida só vale um minuto


*Retirado do livro Preciso dizer que te amo - Todas as letras do poeta

Crianças inocentes

Lá fora as crianças gritam com seus cacarejos, suas caras de porcos e olhos de cachorro perdido. Elas me culpam pelo dia em que nasci, pelas coisas que tenho feito, por minhas escolhas, minhas vontades. Jogam na minha cara que não tenho nada, que nem a privacidade me pertence. Sinto-me jogada num vaso, onde cresço como uma flor e a fotossíntese só pode ser feita durante a noite e vivo sozinha neste quarto escuro de solidão. Só as paredes conversam comigo. Ninguém me olha, ninguém percebe minha existência inumana porque foi assim que vocês me fizeram. Essa procriação persiste porque vocês me criaram assim. Cuspiram na minha cara e agora não posso existir? O que vocês querem de mim? Porque fazem isso comigo? Para onde irei, onde estarei daqui a cinco minutos? Não me acho em lugar nenhum e lugar nenhum é suficiente para mim. Que merda de vida! Não, não, não! A vida é linda: veja as flores, as árvores, as crianças brincando lá fora, rindo com suas inocências perdidas. Minha cabeça atormentada me corrói, me destrói. Meu coração está fraco e já está cansado de bater. Eu não quero isso pra mim. Esse mundo imundo e vazio não me pertence e não irei atrás dele. Farei com que ele pare de me perseguir. Meu corpo quer flutuar, mas ele está tão pesado e cansado que não sei quanto tempo irei agüentar! Não puna-me por aquilo que fiz e sim por aquilo que não fiz! Sugue até a última gota de meu sangue e traga-me de volta a vida. Renasça das cinzas da Fênix, torna-me forte, companheira, feliz! Nem sei onde estou e o que estou fazendo. Tudo é muito complicado, exaustivo! Pensar já não é suficiente, é doloroso! A fraqueza me pune por minha covardia de nunca conseguir falar, de nunca conseguir gritar e de jamais me deixar chorar! Sinto um peito inchado de tanta mágoa e tanta lástima e sufocado por nunca ter tentado ser feliz por um segundo que fosse. “sou alguém que se perdeu na multidão, alguém a quem as luzes esfuziantes deixaram estonteado, um zero que viu tudo ao seu redor reduzido a escárnio”, assim são as palavras de Henry Miller, assim que me sinto. A intensidade do momento regride minhas ações em nada, em escárnio. E, por favor, me tire desse quarto escuro, mande essas crianças pararem de cacarejar e de me olhar com esses olhos de cachorro perdido e fucinho de porco.