Visitantes caminham em meio a um castelo de gelo montado em Harbin, na província de Helongjiang, nordeste da China. A construção de monumentos de gelo faz parte dos festejos de inverno no país.


Este é seu corpo fazendo parte de mim:
crio, monto, desmonto peças de um quebra-cabeça com sua fotografia
só para estar mais e mais perto de ti.
Esta é sua voz fazendo parte de mim:
sonho, imaginação, melodia de música sem fim
e assim, jamais desligo o rádio que é minha memória.
Esta é você fazendo parte de mim:
inteira, partida, cheia, vazia,
eu em você, você em mim,

assim completamos o que nos falta uma na outra.

Reta. Uma linha tênue entre dois pontos. Não tiro meus olhos dela. Tenho medo de me desequilibrar e cair. Cair no abismo. Treva. Solidão. Medo de ser só, de estar só. Medo da loucura possível. Medo que o invisível me domine. Que ele tome conta de mim, do meu corpo, do meu sonho de ser alguém além de mim. Sinto medo das palavras não pronunciadas, que elas possam me espancar e deixar sequelas. Mas a linha continua lá. Reta. Tênue... e inquebrantável.

TV
Devo admitir aqui: eu sou uma série-maníaca!!! Rsss... Pois é, adoro assistir séries e isso começou por causa de uma em particular: Friends. Amo Friends, tenho todos os DVDs e assisto sempre que posso. Quando estou muito triste, assisto para rir, quando quero rir, coloco aquele episódio que me faz doer a barriga. Hoje, meu vício se alastrou e assisto Sex and the City (o qual também tenho os DVDs), CSI Las Vegas, Law and Order, House, Brothers & Sisters, enfim, a lista é longa.
E esse post está sendo escrito porque acabei de assstir um episódio de Brothers & Sisters, o qual me emocionou. A relação da família é excêntrica, eles brigam e se amam. É uma loucura! E, apesar de todas as brigas, o modo como eles fazem as pazes e se amam é emocionante!
O legal das séries é que é uma novela curta, algumas são chatas e enfadonhas, outras nos deixam emocionados e também nos fazem rir. É uma delícia!

O Pastor
Madredeus

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou

Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor

Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria.



A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro

Hoje procuro palavras para minha vida. Não tenho feito um ótimo trabalho, mas tenho tentado de todas as formas trazer o prazer da escrita na minha vida. Há muito tempo atrás, descobri a leitura, o primeiro livro, um romance água com açúcar de minha mãe. Coleção Julia / Sabrina / Bianca, nem sei mais. A partir daquele dia, minha vida, meu mundo mudou. Ler foi o melhor incentivo para a escrita. Eu queria escrever aventuras, romances policiais. Até arrisquei algumas historinhas, mas hoje quero escrever algo que vá além de qualquer entendimento. Não, não vou escrever algo sem nexo. Eu quero escrever algo que as pessoas gostem realmente de ler, não precisa ser best-seller para vender, quero apenas deixar minhas palavras escritas em um pedaço de papel, para deixar meus pais orgulhosos de mim, ser reconhecida por meu irmão.
Eu quero crescer mais. Ter experiência. Trabalho. Sucesso é conseqüência. Eu quero ter amigos-parceiros. Eu tenho o amor que me completa. Eu quero viver. Ser eu mesma e ser por inteira.
Apenas ser e acreditar em mim.

Pensamento do dia

"Através dos visíveis rumos ao invisível
O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demasia estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isto, o sábio em sua alma
determina a medida para cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
setas que apontam para o Invisível."

Lao-Tsé

Voz sem saída - Céline Curiol

Quando entro em uma livraria e ainda não sei o que quero comprar, procuro primeiro pela capa do livro, depois vou até a história e depois vejo o preço. O que mais me chamou atenção neste livro foi a capa em pb com um pedaço de papel preso no livro em cor de rosa. A foto, pessoas caminhando e entrando em trens.
Ao ler na contracapa sobre uma pessoa que espera um homem ligar e como ela lida com isso, me deixou confusa, mas na orelha do livro descubro que ela trabalha é jovem, mora em Paris e trabalha numa estação de trens. Mas ela ama um homem que mora com um anjo. Eles se beijam e ela quer repetir aquele momento tão especial.
"Solitária, ela deixa seu apartamento, seu refúgio, para matar o tempo nas ruas da cidade. Passeia por bairros perigosos depois que a noite cai, entra em boates e cafés cuja beleza é atraente. Esta jovem habita os recantos, sensível à realidade urbana. Não consegue dissimular sentimentos, Mas joga com a sinceridade e com o risco. Apenas para ver e ouvir o real, para estar presente no mundo."
Depois de ler isso, não resisti. Comprei este romance, que me emocionou, mas me deixou muito angustiada. Como amar alguém que não nos ama, mas gosta da gente? Como deixar de sentir algo tão forte como o amor? Não há respostas para estas perguntas, mas há momentos deliciosos ao ler Voz sem saída, de Céline Curiol.


O urso polar Knut recebe milhares de visitas no zoológico de Berlim, na Alemanha. Knut ficou famosos após ser rejeitado por sua mãe e 'adotado' por um biólogo do zôo.

uma hora para ouvir
meia hora para falar
dez minutos para ver
um segundo para dizer adeus

Leitura demais?

Mais uma vez mudei o template do blog. Acho que agora ficou legal, combinou com o nome e a imagem dele.

Mais uma semana começando. Mais livros para ler. A pilha aumenta todo mês, nem sei mais por onde começar. Mesmo lendo dois ou mais livros ao mesmo tempo, essa pilha não diminui. Esse ano já li 21 livros e estou lendo O Segredo, aquele que todos estão comentando, tem filme-documentário, e mostra como conseguir tudo o que desejamos. Estou gostando, acredito nessas coisas e as coisas que quero estão aparecendo. Crime e Castigo não consigo terminar nunca, nem cheguei na metade do livro e estou lendo há muito tempo.

Listinha dos livros que li até agora e que terão suas "críticas" postadas nesse blog em breve:

* Fernando Pessoa - Poemas completos de Alberto Caeiro
* Jean-Paul Sartre - O muro
* Federico Garcia Lorca - Antologia Poética
* José Saramago - Ensaio sobre a cegueira
* Sun Tzu - A arte da guerra
* Céline Curiol - Voz sem saída
* Robert Crumb - Fritz, the Cat (quadrinhos)
* Inês Pedrosa - Fazes-me falta
* Osho - Coragem
* Anais Nin - Uma espiã na casa do amor
* Jean-Claude Carrière - A linguagem secreta do cinema
* Danielle Steel - Cinco dias em Paris
* Markus Zusak - A menina que roubava livros
* Manuel Bandeira - Libertinagem & Estrela da manhã
* Sérgio Buarque de Hollanda - Raízes do Brasil
* Jack Kerouac - Tristessa
* Minelvino Francisco da Silva - Cordel
* Bill watterson - Calvin e Harol - Foi assim que tudo começou
* Denis Lehane - Paciente 67
* Julio Cabrera - O cinema pensa - Uma introdução à Filosofia através dos filmes
* James C. Hunter - O monge e o executivo

O cinema pensa - Julio Cabrera

Ler esse livro é como estar assistindo uma aula. Os capítulos são divididos, como o próprio autor define, por exercícios; e em cada exercício fala sobre um ou mais filósofos. E para entender a filosofia desses grandes escritores, Cabrera comenta sobre alguns filmes de grandes diretores como Frank Capra, Stanley Kubrick, Hitchcock, Michelangelo Antonioni, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Spielberg, Tim Burton, Tarantino, entre tantos outros.
Não há como explicar o livro. É uma leitura gostosa para quem gosta de cinema e Filosofia. Para os leigos é ótimo porque entende-se alguns filósofos (p. ex. Nietzsche, Kant, Marx, Sartre e outros). Ensina também o espectador a pensar sobre o filme que está assistindo. Depois desse livro, pode ser que o cinema não seja mais simplesmente uma diversão, mas também um aprendizado.

"Que o cinema seja uma enorme simulação não diz nada contra sua pretensão de verdade. Será preciso ver como essa simulação se situa com relação à realidade. Até a ciência está cheia de simulações. A presença da simulação não diz nada por si mesma. É preciso ver se pode existir um uso filosófico da simulação do cinema."
Julio Cabrera (pág. 37)

Nenhum sino tocou do outro lado
A igreja, em silêncio, fazia sua prece matinal
O sol nascia e iluminava as primeiras flores que abriam
A calma da cidade, sem seus barulhos de buzina, de ônibus,
das crianças indo para as escolas...

Tudo é diferente numa manhã de domingo.

Luar

Lua que destila mel aos lábios dos loucos
Os jardins e os burgos esta noite são gulosos e roucos
Os astros até que imitam bem as abelhas
Deste mel luminoso que escoa das parreiras vermelhas
Pois eis que bem doce e caindo do céu
Cada raio de lua é um raio de mel
Ora escondido eu concebo a aventura muito doce
Tenho medo do dardo de fogo que esta abelha estrela trouxe
E que pousou nas minhas mãos os raios dos lamentos
E tomou seu mel lunar à rosa-dos ventos

Apollinaire

Paciente 67 - Dennis Lehane

Não sou uma expert em crítica literária, mas tentarei deixar toda semana, às vezes até duas vezes por semana, uma crítica sobre algum livro que eu tenha lido ultimamente ou sobre algum livro que eu tenha lido há mais tempo. Espero que gostem e se divirtam! Este é um que eu li recentemente e uma amiga me emprestou.

Este talvez seja o livro mais alucinante de Lehane. Alucinante no sentido de ser totalmente delirante e claustrofóbico. Nos momentos finais pensa-se que a história toda é um sonho contada pelo próprio personagem.
A história se passa no verão de 1954 e os xerifes Teddy Daniels e Chuck Aule vão para uma ilha investigar a fuga de uma interna do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe. A interna, Rachel Solando, escapou de um quarto vigiado e trancado à chave, além de não ser encontrada na ilha. Esse é o começo de uma história que te prende desde o começo.
O final do livro é surpreendente e deixa o leitor cheio de comos e porques. Apesar da supresa e da incredulidade final, esse é o livro mais louco de Lehane, não assusta como os outros e a história parece já ter sido contada por algum filme. Quel leu Sobre meninos e lobos e Apelo às trevas entenderá o que estou dizendo depois de ler este livro.

As pequenas coisas do mundo

As palavras não ditas
Aos caminhos não percorridos
As músicas não ouvidas
Aos ritmos não dançados

Aos beijos não dados
Aos corpos não amados
Ao amor não correspondido
Ao crime não cometido

Eu sou a alma que sangra
Eu sou a letra da canção
Eu sou o tiro do suicida
Eu sou o medo de amar

As pequenas coisas que são deixadas pra trás
Por causa do medo
Por causa do tempo
Por que você não quis esperar

As pessoas que tem medo da chuva
Aos pais que não conversam com seus filhos
Aos sons nunca escutados
Aos gritos nunca dados

Por que será que não conseguimos lidar com as pequenas coisas do mundo?

Paladar

Para quem gosta de uma boa comidinha, aqui vão algumas dicas, fáceis, rápidas e gostosas.

Salmão ao forno

Corte e limpe o salmão, corte-o em quantos pedaços preferir, coloque-o numa assadeira e tempere com sal, azeite, alho e cebola picados, e shoyu. Corte algumas batatas em rodelas e coloque na assadeira. Vinte minutos depois, seu peixe estará pronto para ser devorado. Gostoso servir com arroz e salada.

Macarrão ao molho branco

Cozinhe o macarrão. Enquanto isso, corte alho e cebola bem finos e junte numa panela com uma colher de margarina. Deixe cozinhar um pouco. Em uma xícara de leite misture uma colher de farinha de trigo. Se quiser duas receitas, duplique a quantidade de leite e de farinha, se quiser três receitas, triplique, e assim por diante. Junte o leite e a farinha com a margarina, cebola e alho e mexa até engrossar. Se preferir, após engrossar, coloque atum com ervas finas (ou atum normal) e cheiro verde.


Bon apetit!!!

Visão


Numa tarde fria, numa praça, sentada num banco, Sílvia contemplava a vida ao seu redor. Nas últimas semanas, sentia muita saudade da família, seu sobrinho, sua casa, seus amigos. Como tinha costume, ficou apenas sentada, pensando e observando tudo. Depois de algum tempo sentada, uma senhora aproximou-se. Sílvia notou que a senhora era cega e perguntou se ela precisava de ajuda. A senhora, que se chamava Nena, disse que não, mas que gostaria de se sentar um pouco para descansar.

Ficaram em silêncio por um tempo, até Nena perguntar como estava a paisagem. “Eu costumava vir aqui com meu falecido marido. Ele me descrevia tudo o que acontecia. Acho que ele até mentia sobre as nuvens, dizendo que tinham formatos. Como nunca enxerguei, não sei como são, mas meus netos me disseram que as nuvens são como algodão doce”. As duas riram e Sílvia começou a descrever a paisagem.

O lago estava com gelos boiando, as árvores com os galhos brancos de neve, as nuvens não formavam desenhos, mas, sim, eram parecidos com algodão doce, havia crianças correndo, outras montando bonecos de neves, outras querendo fazer de seu cachorro um boneco de neve. Os pais, sentados em algum banco, liam ou ficavam observando seus pequenos de longe. Depois de descrever tudo a senhora, ela contou como era no Brasil e o quanto sentia saudade de casa. As duas conversaram por muito tempo, até Nena dizer que precisava ir embora, pois seu filho a buscaria na entrada do praça.

À noite, no hotel, Sílvia imaginou a vida daquela senhora que nunca enxergou, mas que parecia ter sido muito feliz apesar de tudo. Gostou muito de conhecê-la, mesmo que tenha sido por algumas horas, num banco frio de uma praça qualquer.

Tato


Ao chegar na Inglaterra, no inverno gelado da cidade da rainha, Sílvia ficou encantada com a paisagem branca de neve. Fez o check-in no hotel, tomou um banho e descansou. Na manhã seguinte, ao acordar, viu a neve cair pela janela. Vestiu sua roupa mais quente e saiu. Havia crianças brincando na paisagem branca. Era a primeira vez que ela via, sentia a neve. Jogou-se no chão e brincou com a neve, com as crianças que ainda não conhecia. Sentia um arrepio de frio na espinha toda vez que uma nevezinha encostava em seu rosto, que estava todo rosado.

Lembrou-se, então, que a única vez que se sentiu assim, foi quando tomou banho de chuva pela primeira vez. Saiu correndo de calcinha no quintal da casa de sua mãe, gritando. Sua irmã se juntou a ela e as duas brincaram na chuva por horas. Foi a primeira vez que sentiu uma sensação de liberdade, de que podia fazer o que quisesse. Claro que após o banho de chuva, ela e a irmã ficaram com febre e de cama, mas valeu a sensação de ter feito algo tão inesperado e libertador (pelo menos para uma garota de onze anos, era libertador contrariar a ordem da mãe de não sair na chuva).

Começou a sentir muito frio. Não estava acostumada aquela temperatura. Mas gostou de ter sentido a sensação de liberdade, a neve caindo em seu rosto, em sua cabeça, em seu corpo. Gostou de ter montado um boneco de neve com uma criança e ter brincado de guerrinha com a neve. Se pudesse ter uma sensação assim todos os dias de sua vida, ela ficaria muito feliz e cheia de energia para trabalhar.

Olfato

Vou começar uma série de histórias que ligam a mesma personagem, uma mulher que viaja para fazer programa sobre turismo. Em suas andanças ela estará nos encalços dos sentidos: olfato, tato, audição, paladar e visão. Nesta primeira história será o olfato e o encontro misterioso de um perfume e sua adoradora. Espero que gostem!


Foi a última noite em que passaram juntos. O desejo sempre aflorado, a pele estremecia a cada gemido. Mas sabiam que depois daquela noite não poderiam mais se ver. Ele voltaria para os braços de sua ex-mulher e ela faria a viagem de sua vida para a Europa, com sua câmera e seu computador, para gravar um programa de viagens.

Na manhã seguinte, ao virar-se na cama, sentiu que ele já havia ido embora e ao abraçar o travesseiro sentiu o cheiro que sempre a embriagou. Aquele suave perfume cítrico impregnava qualquer estabelecimento, qualquer rua por onde passava. O cheiro ficava por horas em sua pele. Sentou numa cadeira afastada da cama e fitou o travesseiro. Apesar da distância que tomou, ainda sentia o cheiro. Lembrou-se da primeira vez que sentiu aquele perfume e como o dono dele a deixou enfeitiçada. Os encontros em lugares inusitados, como em cafeterias e livrarias. Ele tinha se separado há pouco tempo, precisava de solitude, e era em lugares como livrarias que a achava.

Os dois começara a sair, se envolver. Mas o coração dele sempre foi da esposa. Jamais a esqueceu. E a relação deles, ela sempre soube, foi atração física e só. De certa forma, o amou muito, mas agora tinha acabado. Cada um tinha que seguir seu caminho.

Levantou-se da cadeira, separou a roupa com que viajaria, tocou seu próprio corpo para sentir o toque do cheiro dele pela última vez e entrou no chuveiro. Água quente. Banheira gostosa. Colocou a roupa, bateu a porta e foi embora. Dentro do quarto, que a camareira logo limparia, ficou o cheiro cítrico, embriagante que ele havia deixado para trás.

Brincando de meme!?!?

Meme? O que é isso? Eu explico. Meme significa:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blog.

Pronto, aí é só brincar. Fui convidada pelo Alexandre a participar dessa brincadeira e postarei a frase de um livro que eu leio já há algum tempo e não consigo terminar nunca. O livro é denso demais e longo (600 pág.). Mas na verdade eu o leio devagar, um capítulo de cada vez, para poder ficar mais à vontade com a leitura. O livro é Crime e Castigo, de Dostoievski. O personagem principal desse livro é tão bipolar que me deixa zonza quando leio. Mas ler Dostoievski é maravilhoso! Adoro.

E a frase é:

"O espírito empreendedor se consegue a muito custo, não cai do céu, de graça."

Dostoievski, Fiódor. Crime e castigo; tradução Paulo Bezerra; gravuras Evandro Carlos Jardim - São Paulo: Editora 34, 2001.

E os blogs escolhidos são:
1) Eutánasia, Ana Regina;
2) Brechó Carioca, Luiz Carioca;
3) Sinequanonsense, Max;
4) Retalhos do Mosaico, Menina dos cabelos amarelos; e
5) TaxiTramas, Mauro Castro.

Eu ia refazer o convite do Alexandre, mas ele já postou a frase no blog dele. Valeu pelo convite, Alexandre.

texto aristotélico

vínculo da poesia com o universal

"de acordo com o que foi considerado previamente, se manisfesta que o ofício do poeta não é narrar o que aconteceu; é, na verdade, representar o que poderia acontecer, isto é, o que é possível conforme a verossimilhança e a necessidade. com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem em verso ou prosa, mas, sim, porque um diz as coisas que aconteceram e o outro, as que poderiam acontecer. por isso a poesia é mais filosófica e séria que a história, pois aquela se refere ao universal e esta ao particular. 'referir-se ao universal' significa atribuir a um indivíduo de uma natureza determinada pensamentos e ações que, por liame de necessidade e verossimilhança, convêm a tal natureza. a poesia visa ao universal entendido dessa maneira, apesar de dar nomes às suas personagens; particular, ao contrário, é o que faz Alcebíades ou o que a ele aconteceu."

(Aristóteles, Poética, 1451b)

Só, nós

Os nós são desfeitos
e as cores aparecem
como ventos, como sonhos.
E o colorido da vida
vai mudando de estação
impregnando meu corpo inteiro
o mundo inteiro,
demorando, para fazer charme.
Os cantos dos pássaros
são as músicas daqui e de acolá,
o meu futuro encontra o seu
e fazemos um filho chamado Vida!
Vida que traz e que leva,
Que dá e recebe,
Que vive, mas que também morre.
E, assim, os nós são refeitos

para novamente serem desfeitos.

O amor

Ás vezes sinto o coração acelerado. Eu amo! Que maravilha! Mas quando o amor torna-se dor, que dilaceração! Porque há amores dor? Porque há amores não concluídos? Porque há dor no fina do amor? Não sei o que escrever, na verdade.
Não estou sofrendo por amor, mas tenho um amigo que sim, e dói saber isso. Pois o amor dele é tanto que ele gosaria de fazer coisas inimagináveis!


quero dor
amor
amor
na dor
eu não gosto
quero ser
ter
o amor
sem dor.

Palco

Burburinho. Pessoas conversando com amigos e parceiros que sentam-se aos lados. Um som anuncia que a peça já vai começar: “Por favor, desliguem seus celulares”, a moça diz no microfone. O burburinho acaba. Silêncio total. As luzes se apagam, e um pequeno feixe de luz ilumina um pedaço do palco. Meu coração bate forte com a música que inicia. Adoro ir à teatros, sempre é uma nova sensação. Minha boca seca com a ansiedade, os atores estão demorando! Ah, mas quando eles entram em cena, fico boquiaberta. É uma delícia ver histórias encenadas por atores, histórias que você só conhecia de leituras… Olho ao meu redor e fico imaginando o que as outras pessoas estão pensando, e vejo rostos sorridentes, alegres, tristes, há alguns que até choram… Cada um recebe de sua maneira o que estão vendo, mas tenho certeza que todos estão gostando. Quando a cortina se fecha e os atores desaparecem, fica uma sensação de alívio e gratificação, mas também bate uma saudade e uma enorme vontade de rever a história contada. Assim, vou até o guichê e compro um ingresso pro dia seguinte, só para poder sentir tudo novamente.

Não é só a inércia responsável pelo fato das relações humanas se repetirem caso após caso indescritivelmente monótonas e viciadas. É a inibição frente a qualquer experiência nova e imprevista com a qual não nos achamos capazes de lidar. Mas só alguém que esteja disposto a qualquer coisa que não exclua nada, nem mesmo o mais enigmático viverá a relação com o outro como uma experiência nova.

Rainer Maria Rilke

Um Bigo

versículo 1

com um sorriso e uma altivez que foram presentes da vida, mais o acréscimo de um charme e elegância, ele conquistava todas as mulheres que queria. seus pequenos olhos castanhos brilhavam naturalmente, suas roupas escolhidas a dedo, impressionava qualquer pessoa. alto, bonito e rico. e mesmo assim ele tinha um defeito. um defeito pequeno, mas que nunca o deixou em paz. fora a especialistas, freqüentou centros de umbanda, espíritas, tentou até regressão, mas nada respondia a sua pergunta. nada o fazia mudar.

versículo 2

para ele conquistar era fácil, o difícil era o depois. jamais levava as mulheres pra sua casa, o caminho para o sexo sempre era o caminho mais curto: a casa dela ou o motel. na hora h, sempre falhava. ele se excitava e se fechasse os olhos conseguia transar. só de olhar para o umbigo da mulher ao lado, que o “amiguinho” dele descia feito bomba atômica. seu defeito era procurar o umbigo perfeito. e nenhum o excitava. ou era profundo, ou saltado, alguns eram enrolados, outros não tinha sentido nenhum. mas quem não fazia sentido, na verdade, era ele.

versículo 3

uma noite qualquer, viu uma mulher linda, vestida de vermelho. dress to kill. pronta pra arrasar o coração dos desavisados. e ele era um desavisado. tentou se aproximar, usou seus truques, mas nada fazia com que aquela mulher o olhasse. sentiu um frio na barriga. sentiu que seu coração acelerava. suas mãos tremiam. ela sorriu. ele, então percebeu. ele não era o único que tinha um defeito. ela também o tinha. olhou uma última vez para ela e foi embora. não a viu mais. nem quis. ele se apaixonou por ela e não queria saber, muito menos ver seu umbigo.


ajudou na inspiração: pink floyd, shine on you crazy diamond (parte I e II)

Los 3 mosqueteros

de propósito:


bu!!!
hahahaha
bu!!!
hahahaha
bu!!!
hahahaha

socado:

a dor dilacerante de um ferro quente na perna.

medo:

(sai correndo e esconde-se!)


*foi um textinho que fiz na oficina de literatura que participei em 2005. O exercício era fazer o medo, socado e de propósito personagens. E eu os fiz sendo os 3 mosqueteiros.


São movimentos eternos

e experiências não explicadas,
muros eternos de barro quebrado,
corpos flutuantes na passagem do aberto
um ano, uns meses, várias semanas
rios de dias transbordantes de sensações
mais vida, mais estrelas para nós…

"Se apenas eu tivesse o eu mágico da primeira infância quando me lembrei como era antes de eu nascer, não me preocuparia mais com a morte agora que sei que as duas são o mesmo sonho vazio."

Kearouac, Jack. Tristessa; tradução Edmundo Barreiros - Porto Alegre, RS: L&PM, 2006.


"Cada livro de Kerouac é um único e telepático diamante."
(Allen Ginsberg)

Artista virtual


Quem sabe você também pode ser um artista?

Vá ao site do Mr. Picassohead e faça seu desenho. Eu já fiz o meu, o quê acharam?

PS: Fiquei sabendo do site pelo blog do Luiz Carioca, o Brechó Carioca da minha lista de blogs...


O nome da minha tela é Faces.

Filmes do feriado

Criticar filmes é uma coisa engraçada, ao mesmo tempo que você comenta sobre o filme, não tem como ser imparcial com o que sente ao assistir o filme. Nesse feriado assisti a três filmes: Cabaret, Edward - Mãos de tesoura (sim, eu não havia assistido esse filme na sessão da tarde até hoje... rsss...) e Premonições. Três filmes diferentes, de três épocas diferentes.


Premonições: Não sei ao certo o que dizer desse filme. Gostei um bocado e fiquei mexida com a história. Sandra Bullock é Linda, mulher de Jim e mãe de duas garotas pequenas. Apesar de amar pelo marido, a rotina de anos de casamento assola a união do casal. Numa certa manhã, um policial bate á sua porta e diz que seu marido faleceu. Ela fica chocada, normal numa situação dessas, certo? Errado, quando acorda na manhã seguinte, o marido está na cozinha, tomando o café da manhã e na manhã seguinte, acorda e o marido está morto de novo. Num roteiro á la Efeito Borboleta, vamos entrando na história dessa família e vemos a corrida desesperada de Linda para saber o que está acontecendo com ela.

Suspense. EUA, 2007.




Edward - Mãos de tesoura: Uma palavra: sensacional. Confesso que nunca havia assistido ao filme porque tinha medo do estranho personagem de Johnny Depp. Aquelas tesouras! Meu Deus! Tim Burton é incrível em todos seus filmes, tanto no roteiro, quanto no jeito de usar a câmera e a edição final. A trilha do filme é muito legal. Edward é um "rapaz" que mora numa mansão abandonada, até que uma vendedora de Avon entra na mansão e, com dó, leva-o para sua casa. Depois disso a vida dela, de sua família, de Edward e da vizinhança nunca mais foi a mesma. Apaixonante! Dizem que o gênero do filme é terror, mas prefiro dizer que é drama.

Terror. EUA, 1990.




Cabaret: O que dizer desse musical? Um filme de seis milhões de dólares, mostra a vida de Sally e Brian. Ele é um professor bissexual que vai à Alemanha ensinar inglês e terminar seu mestrado de Filosofia, ela uma dançarina/cantora de cabaret. Os dois tem um relacionamento estável, até que um certo barão Maximilian entra história pra mexer com o coração dos dois. O filme se passa na década de 30, começo do regime nazista. Com músicas dividindo o filme como se fosse atos, chegamos no clímax da história. Liza Minelli está explêndida. O filme arrasa na trilha sonora.

Musical. EUA, 1972.

viajando na mente

sentada, com as pernas cruzadas e os olhos fechados

senti meu peito explodir. como um raio que batesse e chocasse todos os sentimentos. lembranças me afogaram, gota por gota, até meu coração transbordar, e de tão vermelho como sangue, entrar em erupção. uma lágrima escorreu por meu rosto e senti seu gosto salgado na ponta da língua. eu já não era mais a mesma. minha alma estava fugindo.

"Que o cinema seja uma enorme simulação não diz nada contra sua pretensão de verdade. Será preciso ver como essa simulação se situa com relação à realidade. Até a ciência está cheia de simulações. A presença de simulação não diz nada por si mesma. É preciso ver se pode existir um uso filosófico da simulação no cinema."

Cabrera, Julio. Cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes, O; tradução de Ryta Vinagre - Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

Irmãos? Será?

Hoje, assistindo a um clipe do cantor James Morrison, percebi a semelhança dele com o vocalista do Coldplay, Chris Martin. Quer ver?

James Morrison


Chris Martin

Filmes da semana



The Simpsons, EUA, 2007. De Matt Groening. Com Homer Simpson, Marge Simpson, Bart Simpson, Lisa Simpson, Maggie Simpson. 105 min. aprox. Comédia.

Os Simpsons, foi uma experiência inusitada. Não esperava tanto do filme, achei que seria igual ao desenho, mas logo no começo já fui surpreendida com a cena da família mais engraçada da TV dentro de um cinema, assistindo a um filme daquele gato e rato que eles adoram ver pela TV. De repente, Homer levanta e grita: "Porque paguei pra ver esse filme se posso assistir a mesma coisa de graça em minha casa?". Daí pra frente, você só ri com esse pai desastrado.
A história do filme se resume na premonição em que o pai de Homer fez dentro da Igreja. Ele começa a gritar palavras desconexas e em um dado momento aponta para Marge. Ela fica intrigada com as coisas que o sogro diz e fica alerta a qualquer sinal. Ea vida da família muda quando o chefe da família leva um porco para casa.

Cena impagável: Bart andando de skate nu por Springfield.



No Reservations, EUA /Austrália, 2007. De Scott Hicks. Com Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin. 104 min. Comédia.

Este filme é a refilmagem do alemão Simplesmente Martha, que é simplesmente lindo. O que me deixou um pouco chateada ao assistir esse filme, foi que muitas falas foram copiadas do filme alemão. Não, não estou exagerando. Dias antes assisti o original. Mas na essência o filme americano é mais alegre, mais colorido, fala menos de comida.
Zeta-Jones é a chef de um restaurante bem conceituado de Nova York, rígida consigo e com suas comidas, ela é obrigada por sua chefe a fazer terapia para mudar seu temperado forte. Sua sobrinha, interpretada por Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), vai morar com ela após a morte da mãe. Ao mesmo tempo, sua chefe contrata um cozinheiro extravagante para ajudá-la. Com esses ingredientes a comédia romântica gira em torno das relações entre os três personagens e as consequências de mudanças em nossas vidas.



Meu tio matou um cara, Brasil, 2004. De Jorge Furtado. Com Darlan Cunha, Lázaro Ramos, Deborah Secco, Dira Paes, Aílton Graça. 87 min. Comédia.

Meu Tio Matou um Cara é um filme jovem, uma comédia romântica e policial na qual Duca (Darlan Cunha), de 15 anos, faz de tudo para provar a inocência do tio (Lázaro Ramos), preso ao confessar ter matado um cara. Duca tem certeza de que o tio está assumindo o crime para livrar a namorada, Soraia (Deborah Secco), ex-mulher do morto. E, no meio de toda essa ação, Duca ainda tenta conquistar o coração de Isa (Sophia Reis), uma colega de escola que parece estar mais interessada em seu melhor amigo, Kid (Renan Gioelli). Duca envolve os dois na investigação e no final... bom, aí só vendo o filme.

Roubei essa historinha no orkut de uma amiga... Adorei essa conversinha a la Beatles!
Não sei quem é o autor(a) dos desenhos, mas pelo que vi foi retirado do site devianart.com

Canções para se escutar com o coração!

Vou deixar aqui uma seleçãozinha que fiz de algumas músicas nacionais e internacionais que são gostosas de se escutar, fazendo qualquer coisa... Alguns podem dizer que algumas músicas são bregas, mas são demais, ainda mais nos arranjos que aqui estão. Quem quiser escutar ou baixar essas músicas, elas estarão aqui:

Canções para se escutar com o coração

1- Jammie Cullum - Mind trick
2 - Robbie Williams - Eternity
3 - Trash Pour 4 - Sufoco
4 - Coldplay - A rush of blood to the head
5 - Janis Joplin - Summertime
6 - John Legend - Save room
7 - Vanessa da Mata e Ben Harper - Boa sorte
8 - Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia
9 - Paula Toller - Você me ganhou de presente
10 - Chico Buarque - Outros sonhos
11 - The Turtles - So happy together
12 - Maria Bethânia - É o amor
13 - Madredeus - Haja o que houver
14 - Gotan Project - Queremos paz
15 - Pedro Abrunhosa - Se eu fosse um dia o teu olhar
16 - Expresso Monofônico - Vazio
17 - Gláucia Lima - Blue para um cadáver sonhador
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Para quem quiser saber mais sobre:

Expresso Monofônico - banda paulista que tem suas músicas inspiradas em Caetano Veloso, Jefferson Airplane, Mutantes, entre tantos outros.

Trash Pour 4 - em suas próprias palavras eles "reiventam a música pop com humor clássico e modéstia"

Glaucia Lima - paraibana que traz em seus álbuns poemas de artistas regionais do nordeste.

Pedro Abrunhosa e Madredeus - intérpretes portugueses de primeira grandeza, com letras e músicas maravilhosas.

Gotan Project - banda que mistura tango com música eletrônica. Sensacional!

Nem tudo o que está perdido, pode ser achado
Nem todo sentimento pode dar errado
Nem tudo explode ou cai do céu
Nem tudo pode continuar vivendo sem o seu par
Nem tudo que eu faça poderá demonstrar o quanto eu amo você!
Nem tudo que aqui está escrito, será lido.
Será que tudo está escrito ao contrário,
Ou será que estou virada do avesso?

Palavras por palavras
Palavras que me incomodam
e me acomodam.

Janis Joplin




Quem já não delirou com a voz rouca e estridente de Janis Joplin? Quem nunca ouviu falar nessa cantora americana que levou uma vida desregrada a álcool e drogas, não sabe o que está perdendo. Deixo aqui uma das músicas que mais gosto, a primeira que escutei e pela qual me apaixonei imediatamente. Tenho 25 anos, quando nasci, se comemorava o 12º ano de sua morte. Minha mãe gosta de Janis e como uma boa mãe, muitas músicas que ela escutava em sua juventude, ela me apresentou. Conforme ia escutando Bee Gees, Beatles, Elvis, ABBA, entre outros, eu e meu irmão escutávamos com ela e isso fez com que eu me apaixonasse por essas músicas e por essa cantora.

Aqui fica
Summertime:

Summertime, time, time
Child, the living's easy
Fish are jumping out
And the cotton, Lord,
Cotton's high, Lord so high.

Your daddy's rich
And your ma is so good looking, baby
She's a looking good now
Hush, baby, baby, baby, baby, now
No, no, no, no, no, no, no, no
Don't you cry, don't you cry.

One of these mornigs
You're gonna rise, rise up singing
You're gonna spread your wings, child,
And take, take to sky, Lord, the sky.

But, until that morning
Honey, n-n-nothing's going to harm ya,
No, no, no, no, no, no, no, no
Don't you cry, don't you cry

Parem todos os relógios
Desconectem o telefone.
Impeçam o cão de latir
Com um suculento osso.
Calem os pianos, e,
Ao som de tambores rufando, tragam o caixão.
Que venha o cortejo.
Deixem os aviões
Voarem no céu
Escrevendo a mensagem:
“Ele está morto”.
Ponham laços de crepom
Nos pescoços das pombas.
Que os guardas de trânsito
Usem luvas pretas de algodão.
Ele era o meu Norte,
meu Sul, meu Leste e Oeste,
a minha semana de trabalho
e o meu domingo,
meu meio-dia,
minha meia-noite,
minha fala
e minha canção.
Achava que o amor ia durar para sempre.
Eu me enganei.
As estrelas não são necessárias agora.
Desliguem todas.
Embrulhem a lua
E desmanchem o sol.
Esvaziem o oceano
E limpem a mata.
Pois nada mais vale a pena.

W. H. Auden

Musiquinha

"Atrás de um homem triste
Há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher
Mil homens sempre tão gentis."
Chico Buarque

A menina que roubava livros

O que vocês sentiriam se a dona Morte lhes dissesse: "Eu tenho coração!"?

A minha reação ao ler isso no livro A menina que roubava livros foi das mais surpresas. Como a Morte pode ter coração? E no decorrer da história de Liesel Meminger, eu descubro o porquê o que ela disse é a mais pura verdade.
A história da garota de 9 anos, que é abandonada pela mãe na época da Segunda Guerra Mundial, e adotada por um casal nada convencional, se passa num pequeno bairro alemão, onde ela conhece seu primeiro amor, apanha da professora na escola e vive muitas aventuras, medos e desilusões.
Não tem como não se emocionar, ficar com raiva e querer entrar na história e fazer diferença. E, o ponto forte de tudo é que a Morte é nossa narradora, e ela conta com tanta vontade, tanta alegria, que acabamos nos simpatizando com essa figura.


O livro se encontra em qualquer loja de livros.
A menina que roubava livros
Markus Zusak
Editora Intrínseca
494 páginas

Para mais informações:

Submarino

Ninguém te tira de mim
Sou, sobretudo, uma parte ínfima do mundo
Sei das responsabilidades da vida
e junto de você, me vejo num altar
cheio de pétalas e perfume,
incenso queimando, meu pensamento voando
para seu colo aconchegante e sua boca quente,
cheia de ternura e de amor.
Ninguém te tira de mim
Mesmo que o mar se divida
mesmo que o sol não desponte,
tenho certeza de que seremos sempre nós.
Nós e nosso amor!

Los Beatles


Let it be


When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be

And in my hour of darkness, She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, Let it be

Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be

And when the broken hearted people, Living in the world agree
There will be an answer, let it be

But though they may be parted, There is still a chance that they may see
There will be an answer, let it be

Let it be, let it be, let it be, let it be
There will be an answer, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be


Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be

And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me
Shine on till tomorrow, let it be

I wake up to the sound of music, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be

When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be

And in my hour of darkness, She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, Let it be

Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be

And when the broken hearted people, Living in the world agree
There will be an answer, let it be

But though they may be parted, There is still a chance that they may see
There will be an answer, let it be

Let it be, let it be, let it be, let it be
There will be an answer, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be


Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be

And when the night is cloudy, there is still a light that shines on me
Shine on till tomorrow, let it be

I wake up to the sound of music, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be

Se a noite é dia
Se o dia é noite
Não sei mais
Não enxergo
Não sinto
Não ouço
Sei do mal em meu corpo
E o quanto ele mata rápido
O quanto sinto vergonha de quem sou
E do que me tornei
Até quando viverei nessa escuridão?
Até onde irei sem meu coração?
Por que meus amigos me abandonaram?
Não sei mais
Não enxergo
Não sinto
Não ouço
Mais nada.



Essa poesia dedico às pessoas que usam drogas e não conseguem largar...

Ecos da solidão

A rua está deserta. Somente eu andava por sua calçada, olhando o céu azul, as árvores e as flores que brotavam timidamente em seus cantos. Não sentia meu corpo andar, meus pés pareciam pisar em nuvens. Na minha cabeça só a sua imagem. Queria correr pra te ver, mas a cada passo que caminhava não via mais nada além das árvores e das flores. As casas não existiam. Bem lá no fundo eu via uma fumaça branca. Sua casa talvez? Não sei. Queria chegar logo, mas a distância não diminuía. De repente a fumaça tornou-se negra e gritos ecoavam em minha cabeça. “Me espere, estou chegando”, gritei pra ti. Não houve resposta. Senti meu coração bater muito forte e chorei. Chorei porque não conseguia correr; porque não conseguia chegar; porque não podia te ver; porque os gritos não paravam de ecoar em minha cabeça. Senti uma vertigem e parei. Fechei os olhos e tudo ao redor mudou. As árvores estavam cobertas por uma camada branca, as flores mortas e flocos de neve caía sobre meu corpo. Comecei a sentir frio, os lábios tremiam. Meu pensamento chamou por socorro. Gritei: nada. Gritei seu nome: nada. Nenhuma resposta. Ao cair no chão de frio, desmaiei. Ou morri. Não sei. Só sei que sua imagem não saía de minha cabeça.

Dúvidas?

Ás vezes não sei se o dia sobe ou se o dia desce
Se o coração bate ou se ele pulsa
Se é verdade que céu sem estrelas é sinal de chuva
Se as nuvens são de algodão-doce...
Será que vivemos no virtual?
Porque quando amanhece, queremos que a noite chegue
Será que é difícil viver um dia de cada vez, sem atropelar o curso real da vida?
Porque estamos sempre com pressa?
Onde a vida pára e onde ela termina?
Se fizéssemos menos perguntas e ficássemos apenas no agora,
Poderíamos ser pessoas mais felizes.

Se chove você me pede pra enxugar suas lágrimas
A rua vazia, meu coração solitário
Páginas de um diário escrito de trás pra frente
Sonho acordar desse pesadelo e te encontrar...

Encontrar ao meu lado, seu corpo, seu olhar
Sentir o calor do quarto, o ar com seu cheiro
Quero testar a vontade de te beijar e abraçar
Viajar no pensamento e lembrar de tudo isso depois
Escutando a música de sua voz...

Carolina Mantovani

loucuras de uma mente (um pouco) perturbada

entrando (em algum lugar), roupa branca e uma boneca na mão

eu era apenas uma criança, tinha meus seis anos de idade e brincava com minha boneca. mamãe gritava e chorava no quarto. papai se aproximou, deu um beijo em meu rosto e foi embora. até hoje vejo aquela porta se abrindo e meu pai indo embora. nunca mais voltou. carrego minha boneca para não esquecer esse dia jamais. mamãe também nunca deixou de me lembrar que ele havia ido embora por minha causa. ela sempre me batia. ele nunca me salvou.

para o dia os namorados



já imaginava seu gosto doce em minha boca, seu olhar sobre o meu e a insinuação de nossos corpos. só de conversar contigo pelo telefone, já imaginei o que aconteceria conosco. paixão. no começo é aquele ardor, uma ânsia de nos vermos todos os dias, boca com boca, gostos se misturando num desejo ardente. amor. depois vem o sossego, o coração calmo, sentindo, prevenindo, recebendo e doando carinho, o ciúmes, apesar de presente, indica que o outro ainda gosta da gente. cumplicidade. trocas de confissão, palavras de amor, gestos generosos e simples. saudade. o corpo clama pelo outro com a distância, pensamento sempre presente na imagem da outra pessoa. felicidade. isso tudo se misturando com o sonho, a ilusão, o perdão, o toque e a vontade de sempre estar sentindo mais e mais. e o melhor: junto com a pessoa que amamos.

“O sonho nasceu naquela janela

de olhos azuis e cor amarela

em um mundo sem leis

e com um pequeno poodle francês.”

- Carol Mantovani -


Ele foi se afastando. Outro corpo fugindo do meu corpo, não deixando lembranças, nem sonhos. Tudo foi mudado, trocado por outro espaço. Sensações de força esvaindo, olhos remelentos e boca seca. Acabando essa droga, outra droga me possuirá. Esses desejos procurando corpos que desejam o desejável, que soprem outros sonhos. Meus olhos secos, dóem. Agora, meu corpo fica na espera de um vendaval de sentidos, um vendaval que mexa meus ossos e que me faça chorar.

Felicidade Rara

Meu coração cheio de bolhas
está saudoso, cheio de rugas
quisera eu ter meus amigos aqui
para curar minha pequena solidão,
meu peito tem linhas, que se desfiam um pouco cada dia

e a cada dia mais um canto desafinado
sai de meus olhos,
transcrevendo velhas músicas
e a cada dia uma agulha faz linhas novas
e meus pés correm atrás de cores que tinjam esse tecido de lágrimas e lembranças,

sorrisos e vôos de libélulas que mostram
como meu rosto se transformou

na esperança de vê-los novamente,
como meus caminhos já nunca serão iguais

das pegadas que fizemos juntos,

que ficarão para sempre nas areias de minha lembrança

e que um dia vão desaparecer.

E quando você voltar,

quando nos encontrarmos de novo,

o xadrez colorido desta colcha vai virar seda,

vai virar sede de abraços e braços dados

para entrelaçar a esperança de sempre estarmos

próximos pelas belas lembranças

e pelos corações entrelaçados nesse abraço.

Laços, tranças, nós, novelos de carinho,

novelos de caminhos

que são transpostos pelo amor
pela amizade, pelas nossas emoções.

No dia do reencontro

sentirei um calor tremendo em meu coração,

meu coração vai se cobrir na colcha de seda,

vai repousar, vai sorrir

e o sol irá raiar novamente pelos nossos abraços de felicidades,

Que tivemos o que tivemos, que nos encontramos,

sim, felicidade, é só o que sinto, mesmo de estar longe

porque felizes somos nós

e podemos nos sentir sós uns dos outros...



Poesia escrita com meu mais-que-amigo-irmão-camarada Fernando Yonezawa.

Amores que não podemos mudar

Se eu pudesse eu voaria para seus braços
Como se pudesse ser qualquer coisa pra mudar o mundo
Como se pudesse deixar as coisas como gostaria de serem
Se eu pudesse te fazer se apaixonar por mim
Não deixaria de gastar uma gota de suor
Só para te ter ao meu lado

Mas se você não me quer
Porque apenas não me diz?
Se eu não sou quem você procura
Porque me fazer sofrer assim?

Eu quero saber se você pode dizer
As palavras que quero escutar
Mas não sei se devo me iludir tanto assim
Se você pensa que me fará sofrer, meu coração está calejado
O sofrimento não será mais o mesmo.

Se você viesse ao meu encontro
Sem ao menos eu pedir
Seria demais para mim,
Mas se você me quiser
Venha me reconquistar
Porque o mundo não é como gostaríamos que fosse.

Partes

Este é seu corpo fazendo parte de mim:
crio, monto, desmonto peças de uma quebra-cabeça com sua fotografia
só para estar mais e mais perto de ti.

Esta é sua voz fazendo parte de mim:
sonho, imaginação, melodia de música sem fim
e assim, jamais desligo o rádio que é minha memória.

Esta é você fazendo parte de mim:
inteira, partida, cheia, vazia,
eu em você, você em mim,
assim completamos o que nos falta uma na outra.



eu caía e já não existia mais
nem meus medos puderam me salvar
a imensidão me sugava...

eu caía cada vez mais fundo...

e caía...

caía...

caía...

...

Um dia...

Sons...
Música em meu o uvido,
batida de coração.
Livre para aprender a voar,
para aprender a amar
e também para aprender a viver.
Sonhos que trazem mais sonhos,
que falam de você,
que mostram nosso prazer.
Caminho no escuro.
Será o futuro chegando?
O que ele traz de bom?
Ninguém sabe, ninguém desconfia
Então deixe-o me mostrar o caminho,
para que eu possa sonhar,
para que eu possa voar,
para que eu possa ser música.

Quarto

As luzes da casa se apagaram, meus olhos não paravam de arder. Todas as peças daquela sala foram trocadas de lugar. Eu não poderia mais viver ali, eu já não era mais eu. Meus sentidos estavam esgotados de dor e ódio. O céu desabaria em minha cabeça. Nada mais fazia sentido. Deitei-me em minha cama e lá fiquei parada, absorta com o vazio da escuridão e com meus pensamentos vagueava por lugares inimagináveis. Inventei várias cidades, experimentei todos os sentidos. Ali, naquela cama vazia, gozei a vida mais que em qualquer outro momento.
Jamais encontrei as explicações que queria, aprendi a não ficar mais presa na teoria do saber. Todo conhecimento é uma peça de quebra-cabeça, e ele tem de ser adquirido conforme o que posso aprender. Aprendi a olhar tudo em volta com outra visão, outro aspecto. As coisas estavam mudando e eu continuava deitada, com meus olhos fechados e a escuridão tomando conta daquele quarto. Eu sentia que andava, corria, mergulhava, me aventurava, mas eu não saía da minha cama.
Olhei mais uma vez para mim, eu estava com cabelos compridos esvoaçando com o vento e de tão vermelho sentia o fogo em minha cabeça, vestida de jeans, tênis e regata, no topo de uma montanha meu corpo flutuava nas ondas das nuvens e se molhava com a chuva. Um sentimento de leveza me invadiu e me joguei lá de cima. Voei, voei, voei. Toda minha pele se arrepiava conforme eu me permitia ir. Passei pela minha casa, alegre, com uma claridade enorme, crianças brincando pela grama, rindo felizes. Essa felicidade contaminou meu coração. Voei baixo pela casa de meus pais, de meus avós, passeei por praças e escolas. Mas tudo havia mudado.
Voei para outro lugar. Lúgubre, frio, onde os sentimentos são deixados de lado para que o ódio e o rancor tomem conta dos corações das pessoas. É um lugar horrível, desconfortante, minha leveza deu lugar a uma penumbra sem fim, um espectro. Tornei-me fétida, feia, sem cor, meus olhos vermelhos olhavam as pessoas com desprezo. Mortificada por esses sentimentos comecei a me debater, a me machucar. Meus cabelos começaram a cair e eu chorava lágrimas de sangue. Corri o mais rápido que podia, mas minhas pernas já não agüentavam tanta pressão. Desfaleci em cima de uma pedra fria, pesada. O céu já não era mais azul e sim negro como a noite. Muda de medo, juntei a última força que tinha para voar. Tentei escapar, mas caí. Alguma coisa havia mudado.
Desmaiei entre a linha da solitária morte e da vida. Acordei e fugi dali o mais rápido que pude, mas eu já estava contaminada, apodrecida. Minha mente começou a falhar, meus olhos fechavam-se lentamente. Meu corpo morria pouco a pouco, minha respiração desacelerada. Meu coração usou a última gota de sangue para um ressuscitar maquínico, uma força que eu achava morta. Meus braços ajudaram a empurrar meu corpo para a luz do sol. Senti o cheiro de uma rosa, ouvi o cantar dos passarinhos.
A vida foi tomando conta de mim lentamente. Assim como lentamente meus olhos abriam e viam aquela luz amarela adentrar a janela do quarto. Pulei da cama atordoada. Não poderia ter sido um sonho. Eu senti, eu saí dali. Olhei minhas mãos, elas estavam tão finas quanto o resto do meu corpo. As coisas mudaram de lugar, só eu não havia prestado atenção nisso antes. Não podia ser, não fiquei mais do que duas horas deitada, mas a lua... A lua estava aqui quando eu me deitei... Alguém entrou no quarto. Quem era essa criança? O que fazia em meu quarto? De repente tudo caiu na minha cabeça como um raio. Eu já não morava mais ali. Meus pais também não. A praça, a escola, já não estavam em seus lugares. A criança olhou direto em meus olhos e sorriu. Então eu entendi. Aquela garotinha sou eu! Eu estou me dando outra chance de ser feliz, de gozar a vida. A minha vida agora pertencia a mim.

Ai se Sêsse...

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

- Cordel musicado maravilhosamente por Cordel do Fogo Encantado

Sensações de um corpo sem movimento

Eu o vejo se aproximando, não como algo normal, corriqueiro, mas como uma flecha com urgência. É parecido com um foguete, mas vem numa lentidão de tartaruga. Esses segundos que se passam entre meu corpo e a colisão são os piores de minha vida. Curtos. Atrasados. Segundos que me alienam, que me levam para uma outra estação. Inverno. Neve. Toda paisagem branca e árvores peladas com flocos de neve em seus galhos. Sol. Flores. Primavera. Meu coração batendo acelerado. Quanto mais o tempo passa, mais perto ele se aproxima. Sinto-me, de repente, num quadro de Monet. As tintas pingando no meu rosto, meu corpo, e isso me faz tão bem, me fez sentir tão feliz em estar distribuindo as cores pela tela que esqueci que ele se aproximava. Quanto mais perto chegava, mais sentia seu calor, sua força penetrando em meus poros. Verão. Calor. Corpos suados, enroscados num abraço apaixonado. Outono. Folhas secas, caídas ao chão. A brisa em meu rosto. Esse emaranhado de sensações levitou meu corpo, eu me entreguei a essa colisão que se aproximava de mim e que me dominava. Chorei. Chorei de amor, de tesão, de tristeza. De agonia. Chorei, simplesmente. Nunca esquecerei o ato da colisão: explodi como uma bomba e caí, como se fosse uma pena de tão leve. Dentro de mim, algo se mexia. Senti um último respirar e meu coração tombou. Morri. E, de dentro de mim, nasceu uma nova mulher.

me abraça
me traga
me agarra
me lambe
me ame
me chame
me cante
me escarra
me abafa
me afaga
me cospe
me ferve
me esquenta
me esfria
me esfrega
me cale
me faça sua
de qualquer jeito
a qualquer hora…

Sentidos

Nessas horas vem uma vontade de sair dirigindo pelas ruas da cidade, não importa pra onde, apenas ir dirigindo, onde o vento me levar. Observar as ruas desertas, as pessoas que estão saindo de seus encontros, admirar a lua e as estrelas, conversar com elas e selar nosso amor para sempre.
Da janela vejo a chuva caindo fina. Algumas lágrimas escapam. Vejo a cidade com suas luzes acesas, os carros apressados nem prestam atenção em minha figura solta. No rádio toca uma música lenta, sensual, que sempre escutávamos, abraçadas, dançando. Nossas silhuetas rodopiando pela sala, indo de lá para cá, absortas como num mantra. Sedução: sua boca grudada na minha, sedenta, nossas mãos cruzadas, e com a outra sempre faço um carinho em suas costas, sua nuca. Beijo seu pescoço e sinto seu corpo gemer pelo meu. Seu perfume impregnado na cama. Essas lembranças sempre estão presentes e me deixam em êxtase. Sentidos atordoados. Sentidos embaralhados pela sua constante presença.
Eu já vi isso antes, mas dessa vez você não voltou. Dessa vez não pude impedir de você partir. Como pode o amor ser tão difícil? “O amor também se aprende”, dizia Gabriel Garcia Márquez. Eu renasci no momento em que nos conhecemos. Sentidos de uma vida jamais vivida e sempre desejada. Palavras sempre ditas, mas nem sempre verdadeiras, agora será dita de todo coração. Sempre uma surpresa. Sempre um presente. Você! Aqui, você sempre será a pessoa certa, na hora certa.
Volte pra casa. Volte pro meu coração. Volte para quem te ama de verdade e quer fazê-la sempre feliz. Volte para a vida. Seja feliz! Esteja aqui. Sinta a pulsação do universo em seu sangue. Olhe a lua! Olhe as estrelas. Sinta a chuva em sua pele nua!
Se o amor também se aprende, venha aprender comigo. Sejamos duas virgens descobrindo o amor pela primeira vez. Sejamos duas pessoas sentindo a mesma felicidade. Sejamos as pessoas que outras pessoas gostariam de ser: felizes! Sejamos nós e sejamos um sentimento. Deixe apenas acontecer.
Volte para o meu coração. Volte para mim! Prometo cuidar bem de você!