Quanta dor uma pessoa pode carregar?
Quantos sonhos pesam mais que luz?
Os caminhos são sinuosos e cheios de surpresas.
Mas meu coração chora sangue em demasia.
Perdoem-me!
Perdoem-me pelas palavras duras, pela falta de amor.
Perdoem-me por fugir, por não ter tido coragem.
Perdoem-me pela falta de palavras.
Perdoem-me!

meus olhos dóem
meus olhos ardem
queima meu rosto
as lágrimas que
derramo

a solidão não é
mais dolorida
que palavras
que se deixa
de falar

o grito sai
mudo
e o medo
constrói seu
escudo

o fim do caminho
não tem mapa
não tem companhia
não tem sorrisos
só tem o nada.

O silêncio me acompanha
e o ruído interno
me angustia.

O mundo parece
estar contra mim,
mas sou eu contra todos.

Todo dia me encaro no espelho
e me perco,
assombro-me com meu olhar.

O medo me persegue,
a insegurança me abraça,
o  pesadelo me domina.

Não consigo me controlar
e somente quando você segura minha mão
que me fortaleço.

Somente nesses momentos
que me encontro
e me reconheço.

Sentada no alto da montanha
O sol descendo vagarosamente
por detrás das colinas...
É a imagem mais linda
que meus olhos podem ver
Mas não tão lindo
quanto ver seu sorriso,
que deixei que fugisse de mim
que deixei que me desconhecesse
por medo...
Nem tão agradável que
escutar palavras de amor
mas essas são destinadas a outrem,
palavras que a mim, não vêm,
mas levarei aquelas poucas horas
em minha lembrança.

Enquanto a Lua
se mostra cheia,
branca, iluminada

Enquanto o cheiro
da noite enebria
meu quarto

Enquanto Miles
toca sem parar
me transformando

Enquanto as palavras
saem aleatórias,
indecifráveis

Meu pensamento
divaga amenidades
e possibilidades

Meu pensamento
toca o seu,
matando a saudade.

Estou cansada de
meias verdades
meios desejos

Estou cansada
do olhar que só quer seduzir
das palavras que só iludem

Estou cansada
da frustração da paixão
dos anseios impossíveis


corri
corri até
não aguentar
respirar

corri
corri em
direção
de seu olhar

corri
corri porque
era o que
conseguia fazer

e na velocidade
cheguei
ao meu
limite

cheguei
na ponta
da montanha
e pulei

pulei
e os minutos
me deram
a vida

pulei
e o atrito
da queda
paralisa meu coração

pulei
e caí no
vazio da
perda

e meu corpo
encontrou
seu destino
o [a]mar.

[inpirado na música "Pink Maggit", da banda Deftones]


quero aprender a viver,
a perder e a ganhar também
para recompensar as perdas
quero aprender a sorrir
e a chorar nas horas certas
quero aprender a olhar
para o lado e saber o que encontrar
quero aprender a buscar
e sentir sua mão ao meu lado
quero aprender a te amar
e aprender a não te perder.

Corre,
Corre tempo
e me tire dessa solidão.

Corre,
Corra o mais depressa que puder
e me traga aquele coração.

Vá mais que depressa
e volte com boas notícias,
traga-me aquela por quem tenho adoração.

Venham,
Venham as estrelas, a lua
e dêe-me satisfação.

Em meu caminho,
tiro-me do sério
e começo a confusão.

Não sei mais o que falar
Nem sei mais o que sentir
mas farei uma correção.

Penso em ti
Quero a ti
e nada disso é em vão.

Por isso me despeço,
Voarei com os pássaros
e cantarei uma nova canção.

o gosto de sua boca
está impregnado em meu coração
a lua, minha única companheira,
me conta seus passos,
seus segredos, seus olhares.
amanhã será tarde?
o amanhã será surpresa,
o passado ficará como lembrança ruim
e o sol que brilha
é o mesmo que te ilumina.
é em você que fico
é em mim que você fica
e fica a saudade, o desejo,
o carinho, a amizade.

alguma coisa me diz que meu coração está triste!

o tempo é fato
o tempo é espera
o tempo é lembrança
o tempo é saudade
o tempo é senhor
o tempo é maldito
o tempo é velocidade
o tempo é pensamento
o tempo é sentimento
o tempo foge
o tempo corre
mas o tempo,
o tempo não traz você pra mim.

se seu sorriso não está aqui
comigo, como posso
viver sem chorar?

se o dia não está bom
é sua voz que quero
escutar para melhorá-lo

se sonhos pudessem me trazer
você, viveria dormindo
para tê-la ao meu lado

se o "se" deixasse de ser
apenas o que é: um desejo
não realizável

se a música que toca não
me fizesse lembrar
de momentos juntas

eu aprenderia a viver sem
lembranças, sem desejos,
sem você!


I

Cantei no meio da multidão
Minha guitarra gritava
Meus olhos bailavam de pessoa em pessoa
Você não está aqui
Segui caminhos de maturidade
Aprendi que viver é estar vivo, apesar de tudo
Aprendi que podemos amar mais de uma vez,
E que podemos reencontrar a nós mesmos

Chorei no meio da multidão
Minhas lágrimas com gosto de tristeza
Me embebedavam ao som de soluços
Que só eu escutava
Mostrei meus sentimentos
E meus sentimentos se quebraram
Meu choro terminou
Quando minha maturidade chegou

II

Perambulo pela minha casa
Procurando encontrar o que jamais encontrei
Minha cama por fazer,
A louça por lavar
Distraio-me com uma música no rádio
Pela janela, observo prédios vizinhos
E minha mente voa por caminhos não alcançados
E sorrio com o impossível das coisas

Pateticamente parada em algum banco da praça
Vigio meus passos
Como cheguei até aqui?
Sentada, levanto-me
Ao levantar, volto a me sentar
Não sei para onde ir
Aonde chegar?
Vou começar por aqui

III

Com a fumaça saindo de mim
Procuro encontrar soluções
Respostas que não sei onde encontrar
Seguro no corrimão para não cair
Apenas respiro - mais fumaça
O infinito vem chegando
Com suas perguntas execráveis
E me perco em mim

Continuo meu caminho
Sem respostas
Continuo porque não quero ficar parada
O movimento me ajuda a pensar
Ali, encontro um carinho
Aqui, desejo um carinho
Cada palavra sai de minha mente
E percorro sonhos impossíveis

IV

A música inunda meu mundo
Afogo-me em mares desconhecidos
Água entrando em meus pulmões
Afundo cada vez mais
Quanto mais me afogo, mais me deixo
Por favor, alguém me salve!
Por favor, alguém me tire daqui!

Na areia da praia, vejo a imensidão do mar
Tento esquecer meu tormento
Caio sempre na mesma armadilha
Me vejo sempre nos meus olhos azuis
A fumaça continua saindo de mim
Deito-me e deixo meu corpo
Fecho os olhos
Sumo!

V

Volto embalada por palavras
Palavras de alguém que acabo de conhecer
Alguém que me fez me encontrar
Com quem andei por ruas desconhecidas
De mãos dadas e beijos ardentes
Que me conquistou com seu olhar penetrante
Seus toques ardentes
E me seduzindo aos poucos.

Em seu cheiro adocicado
Em seus lábios macios
Em seu corpo trêmulo
Em seus olhos sedutores
Em suas palavras infinitas
Eu me perdi, eu me achei
Eu quero mais!

VI

Quero me perder em sentimentos
Quero desaparecer na fumaça de meu cigarro
Quero ter você de novo
Me banhar em seu suor
Me jogar em seu corpo
E ser absorvida sem piedade.

Quero as fases boas
As fases ruins
Os medos e as inseguranças
Me entregar inteira
E aprender ser sua
Quero a vida em comum
E o amor dividido.

Na escuridão do dia, procuro seu olhar, sua voz para me guiar, me acalentar. Na escuridão do dia, caminho em sua direção, porque é o caminho que eu devo seguir. Na escuridão do dia, procuro sorrir cores para te encontrar feliz por me ver. Na escuridão do dia, rego-me para germinar nosso amor. Na escuridão do dia, encontro-me forte para fazer loucuras e ir te ver, te sequestrar, te roubar para mim. Só assim poderei ser feliz.

O "Escrevo para não falar sozinha" completou 6 anos em janeiro.

Um salve a todos que me seguem e lêem essas linhas tortas e mal traçadas!!!

Obrigada, de coração!

o peito explode de emoções. raiva. dor. perda. chorar não adianta. sufoca. sufoca as palavras engolidas e não ditas. sufoca o sorriso que foi embora e despertou-me sonhos inquietos. calados. ainda mais sufocados. gritar não adianta. dói a voz. a dor que não merece ser sentida. quero olhar-te e desejar-te. correr o mundo atrás de seu corpo que ficou na memório dos tempos antigos. sentir é dor. a dor é sentir que estou longe e tão perto. é difícil aguentar. é difícil sentir. é mais difícil ainda dizer adeus.

a

d
e
u
s
.
.
.

"Instáveis"
César Serrazes & Carolina Mantovani

estou instável.
todos nós.
preciso da paixão.
eu só tenho o querer.
querer escalar uma montanha.
viver num filme.
sair fotografando o mundo
beijar bocas, lamber corpos
querer conhecer, querer conhecer
correr, sorrir
e enfrentar, eu quero
usar a minha coragem.
sentir que posso, ter coragem para acreditar
em minha coragem.

querer a paixão e ser capaz
de só sentir a alegria,
a paixão por mim invadida no outro.
sim, eu quero
saber que é tudo verdade.
quero sentir a verdade,
quero desafiar o mundo acompanhado
e acompanhar o mundo a me desafiar, mas...
será a companhia já conhecida
ou vai ainda se revelar?
Eu quero apenas que ela venha me abraçar
Eu...
quero apenas que ela venha me abraçar.

eu quero um espaço de coração
não só uma esmola
não só uma canção

eu quero um musical
cheio de comédia, drama, romance
e aplausos

eu quero um caminho
com curvas, retas, túneis
passagens escuras também servem

eu não quero só solidão
quero somar um mais um
num sonho algodão doce

eu quero seu olhar
seu sorriso, seu corpo
para me lambuzar

nutrir isso me deixa mais forte?
pensar me deixa saudosa?
mas a cada passo estou mais longe
onde encontro a lucidez?
onde desmonto minha estupidez?
eu grito para todos os ventos seu nome
e em resposta o vazio me invade,
me transborda o tesão dos pensamentos
loucos, imperfeitos e impuros.

quase pouco, quase muito
quase que derruba montanhas
quase que grita seu nome
quase caiu da escada
quase o sonho virou pesadelo
quase que o vinho acabou
quase que o beijo rolou

quase que foi atrás dela
quase que correu até o ponto de ônibus
quase ficou com raiva com a falta de notícias
quase dirigiu sem habilitação
quase que os olhos se encontraram
quase que virou lenda
quase ficaram juntas.


do meu amigo poeta mais lindo do mundo, Victor Az!

Hoje eu pensei em você
pensei em nunca mais deixá-la me abandonar
pensei em gritar o mais alto que pudesse para me escutar

Hoje eu pensei em mim
pensei em me largar para não chorar
pensei em deixar-me para viver

Hoje eu pensei em nós
pensei no que não fomos, no que não seremos
pensei que pudesse resgatar o pouco que tivemos

Hoje eu pensei em mim
pensei em sentir mais uma vez sua pele macia
pensei em mais uma vez beijar sua boca deliciosa

Hoje eu pensei em você
pensei em correr e te segurar
pensei em falar e calar

Hoje eu pensei em nós
pensei nos encontros e desencontros
pensei vivermos de novo um último segundo a sós.


Venho por meio desta me resignar, entregar meu corpo, minha cabeça, meu coração e minha alma nessa mesa, nesse pedaço de madeira velha. Venho desembuchar todas as palavras que ficaram paralisadas. Venho buscar arrependimento e misericórdia. Não quero julgamento, pois já o fiz sem piedade. Quero a certeza de que a dor e a morte venham me buscar, pegar em minha mão e dizer palavras carinhosas antes do golpe final. Pequem! Pequem sempre, pois só assim saberemos estar vivos! Nada me importa agora, apenas essa solidão que me assombra noite e dia, esse vazio que me persegue, me corrói. A visão começa a faltar-me. Mas desde quando eu enxergo? Nem lembro mais dos sabores das cores e os cheiros do som. Aqui jaz apenas um espectro ambulante, com um cajado numa mão e a morte na outra. Deito-me nessa mesa para repousar meus pensamentos que me cansam há milênios. Deito-me porque meu corpo ri da fraqueza do meu coração. E é aqui que ficarei por séculos a vir. É aqui que cantarei a canção que você fez para mim.

eu grito com a louca que há em mim,
destrato,
escarro,
estapeio...

nada me tira da letargia,
do abandono,
das mesmas falsidades ajoelhadas.

eu grito.
e sucumbo.

o desejo que invade
boca que chama seu beijo
calor que acomete, seja no calor, seja no frio.

as teias emaranhadas
por olhares lascivos e
as palavras ditas no sussurrar da noite.

nada consome a verdade
e esse sentimento que não passa,
essa potência que amedronta e não apazigua.

meu medo de amar acabou,
acabou em seus lábios,
em seu corpo.

o passado que confronta o futuro incerto,
os sonhos que mostram a vida.

nada há para se dizer.
nada há para se mostrar.

apenas eu e a imagem,
eu e o desejo,
eu e o incerto.

quando criança eu sentia alguma coisa diferente, não sabia, não entendia o que era, mas sabia que existia essa diferença. eu olhava para minhas coleguinhas de escola e não gostava de brincar com elas e suas bonecas. mas também não gostava de brincar com os meninos e seus carrinhos. gostava de jogar futebol. gostava de brincar com outros tipos de jogos. não entendia ser menina. não entendia ser menino. entendia ser a mim. ser eu mesma, diferente como eu sentia.
com o passar dos anos, fui esclarecendo algumas coisas. comecei a entender certos sentimentos. mesmo assim, sabia que existia essa diferença. mas não conhecia ninguém com a mesma diferença. os sentimentos são como água em ebulição, principalmente quando pensamos que podemos estar errados. mas também sabia não estar errada. como poderia estar errada? eu estava ali, vivendo, crescendo, morrendo cada dia um pouco.
mais uns anos eu cofirmei que não estava errada, muito menos estava sozinha nesse mundo. existiam outros como eu. talvez não com os mesmos sentimentos. talvez não com os mesmos pensamentos. nem as mesmas aceitações. mas me confirmei ao mundo. me confirmei a mim. e logo um sorriso cresceu em meus lábios.

as duas vezes em que lhe vi
faltou-me coragem dizer-te:
fazes-me falta!

som da chuva em minha janela
aqui dentro, a fumaça do cigarro
me embriaga acompanhado do líquido vermelho do vinho
um livro, uma música
pensamento correndo contra minha vontade

sensatamente feliz
incoerente e voraz.