Eu sou risos e luas...
E quando choro
Chovo pedras de gelo,
Grito vozes de refugiados,
Sinto o peito explodir.

Sonho palavras em estrangeiro
Cantando flores de plásticos

Pare o tempo!
Pare as horas!
Pare o mundo!

Deixe brilhar aquela última estrela.
Deixe tocar aquela última canção.

Sim, perdida estou.
Perdida estás!

Mas onde me encontrar?

Dentro de mim mora um grito.
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.

Sylvia Plath, Olmo, 1962.

As horas passam
e não convencem
que a vida diminui

as horas restam,
tremem, choram,

as horas escorrem,
embebedam, satisfazem.

Minhas horas,
as horas,
tais horas,
quais horas?

As horas passam
as horas restam
as horas escorrem
por entre mãos mordidas de vida.

Lá fora, o vento. Silêncio na rua. Música no rádio. Jogada no sofá, tentando não sofrer pelo sofrível da vida. Bethânia grita suas palavras doloridas em meu coração. Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar, e se perder e se achar... Explode coração....
Meu corpo teme o desfecho de meus desejos calados, do suor do calor de 40º que faz aqui, seja de dia, seja de noite. Chega de correr contra o tempo, contra as falsas impressões. A verdade é que o sonho nunca acaba, aquilo que tememos, sempre nos enfrentará. E aqueles olhos que nunca me encontraram, não chega, não me machuca, não me atormenta. Casei da monotonia da solidão...

Qual é o contrário do amor?

Me peguei pensando o quanto estou vazia... Não no sentido de ser, mas de estar... Há muito tempo eu perdi um amor e não consegui me reencontrar. Talvez até tente às vezes, mas me sinto perdida no mundo. Um mundo onde todos têm seus pares e eu estou na individualidade do progresso, na individualidade do sucesso, na individualidade das conquistas, mas querendo ter alguém com quem dividir isso, ou pelo menos alguém com quem conversar sobre essas coisas... Meus amigos estão sempre aqui, mas... E o amor? Onde ele mora? Que toque tem? Que sorriso tem? Não sinto aquelas borboletas na barriga há muito tempo. Fiquei seca! Egoísta até! Quem sofre porque perdeu um amor é fraco? Talvez eu seja mais forte que todos os fortes, e mais fraca que todos os fracos. A equação nunca será definitiva.

Alguém sabe me dizer o contrário do amor? E não me venha dizer que é o ódio pois quero respostas originais, respostas que contradizem o que sinto e que mexam com minha secura...

E entãO:

QUAL É O CONTRÁRIO DO AMOR?

A vida é um sonho, como um trem que nos transporta para muitos lugares e, às vezes, essa viagem não é boa. Esperamos ter sempre momentos felizes, momentos que não esqueceremos. Minha história é assim: cheia de momentos felizes, mas quero esquecê-los. Por não poder ter mais esses sentimentos de volta, quero esquecê-los, assim posso renovar pensamentos, sensações. Posso voltar a olhar ao redor e ver tudo novo, sentir a brisa em minha pele e senti o amor chegar novamente. Mas é tão difícil sentir novamente, ter amor, dar amor.

Ela foi embora. Foi como um trem que parte e não diz adeus! Deixou-me esperando, sentada num banco de praça, com um buquet de flores na mão. Deixou-me lendo palavras duras e insensatas. Ao partir, a lua deixou de brilhar, o sol deixou de aparecer, a música deixou de tocar e as pessoas me esqueceram. Meus olhos já não enxergam mais, minha voz não é mais a mesma, as palavras não saem e quando saem são para trovejar aborrecimentos.
Ela partiu, partindo meu coração em mil pedaços. Ela sonegou meu direito de esbravejar. Ela me aborreceu com a ausência de lágrimas, com a ausência de toques e olhares. Tudo tornou-se pequeno e sufocante. A vida, o sonho e a felicidade derreteram por entre espinhos de flores mortas e secas pela ausência de amor.

Tenho assistido bons filmes. Estou preparando alguns textos sobre eles, mas me falta a coragem de escrever. Minhas críticas não são tão boas quanto gostaria e preciso de tempo para formulá-las! Uma jornalista que não consegue escrever... Estou precisando de um pouco de energia... Mal consigo pensar! Exaustão é algo que nos leva a ficar totalmente instrospectivos... Não que eu já não seja instrospectiva no dia a dia, mas quando estou exausta, a coisa piora... Falta apenas uma sessão para terminar minha tatuagem, aí sim, estarei inteira novamente...

O céu, a terra e a chuva - dir. José Luis Torres Leiva

O céu, a terra e a chuva retrata a vida de quatro pessoas solitárias. A natureza está presente o tempo todo e a trilha sonora não faz a mínima falta. Ana cuida da mãe doente e trabalha para Toro, um homem que mora com seu cão, e é amiga de Verônica e Marta. O filme é de poucos diálogos, o que pode torná-lo cansativo, mas tem um visual impressionante; é como se o tempo todo o silêncio e a natureza fizesse da vida desses personagens uma poesia.
Há uma cena linda em que Ana vislumbra o dançar de uma árvore e a realidade, de repente, desaparece para curtir aquele pequeno momento!
A dica é: não assista esse filme se estiver muito cansado ou chateado, pois não irá gostar; e para quem não gosta de filme parado, não é uma boa dica de filme.

Ficha técnica
Gênero: Drama
Diretor: José Luis Torres Leiva
País de origem: Chile
Tempo: 110 min
Ano de lançamento: 2008

Confira o trailer


quando criança, fui costurada. fecharam todos meus sentimentos em um saco e jogaram no mar. fui costurada e ninguém se importou se um dia eu me importaria. então eu me misturo entre areias e sol, de cidade em cidade, de litoral a litoral, procurando aquele saco de pandora, onde poderei expor meus sentimentos. as pessoas não sabem qual é a sensação de poder sorrir. eu não sei o que é isso. nunca chorei. nunca gritei. nunca amei...
não há lugar no mundo para mim. não há quem queira conversar com alguém que não saiba se expressar. não há quem queira vagar com um fantasma. pois sou exatamente isso: um fantasma. o fantasma dos sentimentos que estão soltos por aí e ninguém se importou em me dar.

Tenho medos dessas lembranças
que me invadem com dor e lágrimas.
Tenho medo das sensações sentidas
que jamais expressei.

Sorrisos mostrados, toques
brilho no olhar
e só.

Só na calada da noite
caminhando pela cidade
sem rumo.

Só, somente só...

queria entender porque aquela cadeira esta vazia. queria poder preenchê-la de vida, novamente! trazer o sorriso que me conquistou, o toque que me arrepiou... as palavras não são mais como antigamente, os sentimentos prometem, mas não melhoram. o coração bate, bate, bate, mas parece que parou de bater há muito tempo.
fico aqui, parada, olhando fixamente para a cadeira que foi sua um dia. pensando que o passado passou depressa demais e o futuro está chegando com mais pressa ainda. obcecada com o momento que nos separou para sempre, que nos separou, que agitou meu corpo a ser outra coisa que não mais seu...
e o mundo não para só porque eu quero... e eu não consigo me movimentar...

Hoje acordei mais triste do que o esperado. Vim ao computador ver meus e-mails e encontrei uma chamada dizendo que o mestre José Saramago faleceu. Realmente uma grande perda tanto para a literatura, quantos para seus fãs. Não cheguei a ler todos os livros dele, mas li alguns e esses uns me comoveram muito.
Plagiando o diretor Fernando Meirelles, que dirigiu Ensaio sobre a cegueira, digo "o mundo ficou mais burro e cego hoje...". E ele tem razão!

Eu volto, eu sei que ando distante e abandonei meu blog, mas eu volto...

(É um antigo piano, foi
de alguma dona, hoje
sem dedos, sem queixo, sem
música na fria mansão.
Um pedaço de velha, um resto
de cova, meu Deus, nesta sala
onde ainda há pouco falávamos.)

Carlos Drummond de Andrade

Sozinha... Às vezes é bacana estar só, ninguém implica com suas neuroses, obsessões e tristezas... Mas é tão bom estar com alguém e dividir todas essas loucuras! Além de dividir as coisas boas também, claro!!!

Mas não quero falar sobre essas coisas, vim mais para indicar três filmes: o primeiro é Preciosa, filme muito pesado, dramático, mas lindo na forma de contar a história de uma menina tão maltratada pela vida e pelas pessoas a sua volta que é impossível pensar em um final feliz; o outro filme é Um Sonho Possível, estrelado por Sandra Bullock, que aliás ganhou o Oscar por sua interpretação nesse filme, é a história real de um garoto que perdeu tudo na vida, dignidade, casa, família, mora de favor na casa de um homem que o leva a ganhar bolsa numa escola de rico, depois disso sua vida muda completamente; o terceiro, e não menos importante, filme é Amor sem Escalas, com George Clooney que interpreta um homem que trabalha para uma empresa que demite pessoas e que o faz viajar por todo EUA, e entre uma cidade e outra conhece uma mulher, por quem acaba se apaixonando. O filme não é piegas, bate em alguns clichês românticos, mas encanta.

É isso, espero que se divirtam!!!

um pouco do antes
um pouco do depois
um pouco do nada
um pouco do tudo

um pouco é pouco
quero muito
e do muito quero pouco

como colocar a cabeça no lugar?
como sentir a vida sem sentir dor?
como viver se não há um porquê...?
essa dor no peito, esses pensamentos que não param, são mais doloridos que a dor das agulhas de minha tatuagem...

Não sei, mas muitas vezes sinto que irei enlouquecer. Não enlouquecer no sentido da palavra de ficar louca, pinel, mas no sentindo de não conseguir mais controlar minha fala, minhas vontades... Assim como acontece em meus sonhos. É muito estranho! Um dia eu sonho com uma, no outro com outra, e assim sucessivamente. Acordo como se tivesse completamente fora de mim. Em outro mundo. Sem sentido. Sem saudade.
Ah, como tive saudade! E saudade quando é para doer, dói mais que a agulha da tatuagem rasgando sua pele. Agora sinto prazer nos sonhos, sinto que quero realizar esses sonhos, mas na vida real, a história é outra. Enquanto uma não quer me conhecer, a outra nem sabe meu nome. Enquanto uma já travei certo contato, a outra simplesmente não existe no mundo virtual.

É, a vida nunca será um conto de fadas e os sonhos, quase nunca, poderão ser realizados.

E, sim, ainda sonho com ela também!!! Tô ferrada!!! =/

perdida em meu silêncio. perdida na escura noite solitária, onde o vazio faz mais barulhos que os vizinhos. pensamentos distraem e destroem meu ser inabitável. onde posso me encontrar? onde sou aquilo que posso ser? onde encontrar palavras de conforto e abraços de amor? o sonho se torna pesadelo e rodeia a solidão. meu corpo entre o silêncio obscuro e a dor infame; entre o vazio e a falta; entre o pesadelo e a loucura.

posso me encontrar em seus braços algum dia? você me receberá? posso novamente olhar em seus olhos e me encontrar?

como gostaria de te encontrar agora...

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

(...)

[Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade]

meu desejo inefável. ela passa e eu saboreio o momento divino. os olhos meigos, disfarçados, me atacam com força. me assanham. me diluem. cada gesto me tira dessa agonia de não poder tocá-la, de não poder sonhá-la. seus lábios... é um alívio poder encontrá-los tão próximo! mas é um martírio não poder beijá-los!
sorrisos amarelos, desvios de olhares. sensatas sensações que arrebatam o coração. possíveis futuros, possíveis toques. o gosto ainda desconhecido e tão desejado. desejo. desejo. desejo. mais um encontro de olhares e mais sorrisos amarelos. timidez. simplicidade. o toque que chega a doses homeopáticas. gotas de chuva começam a cair.
você passa. o tempo passa a ser outro quando se vai. meu sorriso some. minha voz não sai. desejo. desejo reprimido. timidez. sensações.

não sei por onde começar
o início é pior que o fim
saídas não existem
sorrisos perdidos entre estrelas
lua fugindo do sol
palavras que voltam
e que batem
e machucam
sonhos
desejos
você

Ás vezes queremos mudar o mundo com um gesto. Até mudar nosso jeito de ser com um piscar de olhos. Talvez essas coisas não sejam possíveis. Talvez precisamos ter um pouco mais fé. Talvez precisemos apenas nos esforçar um pouco mais.

Mas nada disso muda. Nada disso nos é revelado. O segredo de viver um dia de cada vez, sem enlouquecer, ainda não foi revelado. Os sonhos acabam, as promessas morrem, nossos desejos abafados, somos incompreendidos e esmagados a todo instante.

Eu quero mudar o mundo. Eu quero mudar. Eu quero ser gente grande, ter responsabilidades, trabalho, vida, amor. Felicidade eu não peço, eu recolho. Os sentimentos estão aqui, murchos, escondidos, esperando que alguém os encontre...

Quero vida! Quero sede! Quero sorriso!

Cansei dessa vida sem graça de ficar em casa e na internet o tempo todo!!! Quero trabalhar!!!

****************

E no mundo da imaginação:
Estou lendo "Mrs. Dalloway", de Virginia Woolf e estou maravilhada!!! Até reassisti "As horas", filme inspirado nos últimos dias de Woolf, escrevendo o livro já citado e intercalando com duas histórias... Lindo!!! Maravilhoso!!!

quem me dera não ter sanidade nas outras 23 horas do dia...

sangue escorrendo pelas mãos

pinga pinga pinga

pinga pinga pinga

pingapingapinga

gota por gota
afogando-me
lamentando
lembrando-me

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do o caso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

[Manoel de Barros]


Há tempos aparecem livros descrevendo sobre o que a tecnologia faria com o mundo e junto com os livros, chegaram os filmes. Assim como também há livros e filmes que mostram como nossa privacidade é afetada. No filme GAMER temos um pouco dos dois.
Num mundo não tão distante, um homem inventa um jogo. Um jogo como o The Sims, só que o jogador controla humanos. Com um chip implantado no cérebro das pessoas, um humano controla o outro, revolucionando o mercado tecnológico e invadindo a liberdade e a privacidade das pessoas, já que humanos que não são jogadores, podem assistir ao jogo.
O filme gira em torno do prisioneiro Kable (Gerard Butler), que é controlado por um adolescente e precisa ganhar o jogo para se libertar, mas acaba descobrindo que será morto mesmo sendo campeão. Junto com um grupo chamado Humanz, que cria um vírus contra o jogo de Castle (Michael C. Hall), o bilionário criador dos jogos do filme. O roteiro não é tão bom, a direção é fraca, mas a salvação é a montagem e edição.
Em épocas de BBB e A Fazenda, e jogos como The Sims, o filme veio para colocar uma interrogação em nossas vidas. Será mesmo que devemos ser tão controladores e voyers assim?

boca com boca
língua buscando outra língua
numa volúpia incessante

tesão
suor

mão percorrendo corpo
corpo grudado em outro corpo
boca percorrendo corpo

gozo
êxtase

às vezes é mais um dia que acaba. mais uma noite que virará dia. às vezes é mais um momento que estou deixando passar. não sei como não deixar a depressão tomar conta. não sei como me mexer. os dias passam, as noites passam, mas há sentimentos que ficam adormecidos talvez, mas ficam. tento não pensar, tento não prender pelas lembranças. tento olhar para os lados e ver outras pessoas. ver outros olhos. outras bocas. vejo que meu passado sempre interferirá em meu futuro. mas como não deixar? se eu sou quem sou, devo ao meu passado, devo aos meus erros e acertos de outrora. quero apenas viver bem... e viver feliz!

a solidão bate em minha porta mais uma vez, e ainda disse: voltei pra ficar. deixei-a entrar, afinal agora ela pode me fazer companhia. estava me sentindo tão sozinha. tão desolée! agora ficamos aqui, as duas no silêncio da noite batendo papo com as paredes e escutando música e esperando para um dia encontrar alguém pra dividir a solidão comigo.

hoje eu vivo
e aniquilo
aquilo que me despreza
aquilo que me desconsidera

hoje meu mundo é esse
cheio de cor, cheio cinza,
de branco, de preto
e um pouco de vermelho

hoje os sonhos se realizam
amanhã, quem sabe?
hoje sou feliz,
amanhã também...

vou-me embora para parságada,
lá sou amigo do rei,
lá tenho a mulher que eu quero,
na cama que escolherei.

[manuel bandeira]