ontem choveu bolinhas de sabão.
elas flutuavam, me tocavam e explodiam.
eu caminhava pelas ruas desertas,
sucumbia ao frio que me enebriava.
os sonhos pareciam reais
ou a realidade virou sonho.
mas ontem,
ontem não houve choro,
não houve grito.
ontem as palavras tomaram conta de mim
e os gestos, um dia tão importantes,
não tiveram mais importância.

ontem choveu bolinhas de sabão.
e você não estava aqui para vê-las!

meu corpo todo tatuado,
cheio de lembrança,
se fecha na tristeza a cada dia que passa...
quero natureza...
quero uma manhã de sol no mar...
quero um sorriso seu no meu anzol...

sonhar... pra quê sonhar?

sentada na varanda de sua casa, observando o sol que já vai descendo. o céu todo fogueado. com um cigarro na mão e um copo de vinho na outra, ela está pensando. preocupada. se jogando em sentimentos que não sabe de onde vêm. lágrimas que não sabe de onde escorrem. bebe o vinho e o gole desce seco em sua garganta. sente o líquido quente em seu corpo, correndo quente como o sangue em suas veias. sonhou demais. quis demais. pretendeu demais. no fundo não sabe o que quer da vida. sabe o que sente, muitas vezes; e muitas vezes sente vontade de sumir. sente vontade de ser outra pessoa. sente vontade de não ligar para o que as pessoas dizem. é, ela sonha demais. pra quê serve sonhar? de que serve se iludir? sonhar... pra quê sonhar?

outras personagens

às vezes parece que o infinito me chama... nem sei pra onde, ou pra quê... apenas sinto o infinito em meu peito. me cuspindo pra vida. mas nem sei o que é o infinito. o que é o infinito, afinal? o infinito é o abismo? ou apenas um vazio? ou será que pode ser essa sensação de que algo está esmagando meu peito 24 horas por dia? nem é preciso ter significado. o infinito, para mim, é sentido. concreto ou não, também não importa. sei que ele está por aí, me chamando. está por aqui, me esmagando. ele pode estar espreitando você neste momento. o infinito é o fantasma que assombra meus pesadelos. é a faca que corta meus pulsos. é a água que me afoga. o ar que me sufoca.

sarah b.