A vida é um sonho, como um trem que nos transporta para muitos lugares e, às vezes, essa viagem não é boa. Esperamos ter sempre momentos felizes, momentos que não esqueceremos. Minha história é assim: cheia de momentos felizes, mas quero esquecê-los. Por não poder ter mais esses sentimentos de volta, quero esquecê-los, assim posso renovar pensamentos, sensações. Posso voltar a olhar ao redor e ver tudo novo, sentir a brisa em minha pele e senti o amor chegar novamente. Mas é tão difícil sentir novamente, ter amor, dar amor.

Ela foi embora. Foi como um trem que parte e não diz adeus! Deixou-me esperando, sentada num banco de praça, com um buquet de flores na mão. Deixou-me lendo palavras duras e insensatas. Ao partir, a lua deixou de brilhar, o sol deixou de aparecer, a música deixou de tocar e as pessoas me esqueceram. Meus olhos já não enxergam mais, minha voz não é mais a mesma, as palavras não saem e quando saem são para trovejar aborrecimentos.
Ela partiu, partindo meu coração em mil pedaços. Ela sonegou meu direito de esbravejar. Ela me aborreceu com a ausência de lágrimas, com a ausência de toques e olhares. Tudo tornou-se pequeno e sufocante. A vida, o sonho e a felicidade derreteram por entre espinhos de flores mortas e secas pela ausência de amor.