quem me dera não ter sanidade nas outras 23 horas do dia...

sangue escorrendo pelas mãos

pinga pinga pinga

pinga pinga pinga

pingapingapinga

gota por gota
afogando-me
lamentando
lembrando-me

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do o caso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

[Manoel de Barros]


Há tempos aparecem livros descrevendo sobre o que a tecnologia faria com o mundo e junto com os livros, chegaram os filmes. Assim como também há livros e filmes que mostram como nossa privacidade é afetada. No filme GAMER temos um pouco dos dois.
Num mundo não tão distante, um homem inventa um jogo. Um jogo como o The Sims, só que o jogador controla humanos. Com um chip implantado no cérebro das pessoas, um humano controla o outro, revolucionando o mercado tecnológico e invadindo a liberdade e a privacidade das pessoas, já que humanos que não são jogadores, podem assistir ao jogo.
O filme gira em torno do prisioneiro Kable (Gerard Butler), que é controlado por um adolescente e precisa ganhar o jogo para se libertar, mas acaba descobrindo que será morto mesmo sendo campeão. Junto com um grupo chamado Humanz, que cria um vírus contra o jogo de Castle (Michael C. Hall), o bilionário criador dos jogos do filme. O roteiro não é tão bom, a direção é fraca, mas a salvação é a montagem e edição.
Em épocas de BBB e A Fazenda, e jogos como The Sims, o filme veio para colocar uma interrogação em nossas vidas. Será mesmo que devemos ser tão controladores e voyers assim?

boca com boca
língua buscando outra língua
numa volúpia incessante

tesão
suor

mão percorrendo corpo
corpo grudado em outro corpo
boca percorrendo corpo

gozo
êxtase

às vezes é mais um dia que acaba. mais uma noite que virará dia. às vezes é mais um momento que estou deixando passar. não sei como não deixar a depressão tomar conta. não sei como me mexer. os dias passam, as noites passam, mas há sentimentos que ficam adormecidos talvez, mas ficam. tento não pensar, tento não prender pelas lembranças. tento olhar para os lados e ver outras pessoas. ver outros olhos. outras bocas. vejo que meu passado sempre interferirá em meu futuro. mas como não deixar? se eu sou quem sou, devo ao meu passado, devo aos meus erros e acertos de outrora. quero apenas viver bem... e viver feliz!

a solidão bate em minha porta mais uma vez, e ainda disse: voltei pra ficar. deixei-a entrar, afinal agora ela pode me fazer companhia. estava me sentindo tão sozinha. tão desolée! agora ficamos aqui, as duas no silêncio da noite batendo papo com as paredes e escutando música e esperando para um dia encontrar alguém pra dividir a solidão comigo.

hoje eu vivo
e aniquilo
aquilo que me despreza
aquilo que me desconsidera

hoje meu mundo é esse
cheio de cor, cheio cinza,
de branco, de preto
e um pouco de vermelho

hoje os sonhos se realizam
amanhã, quem sabe?
hoje sou feliz,
amanhã também...

vou-me embora para parságada,
lá sou amigo do rei,
lá tenho a mulher que eu quero,
na cama que escolherei.

[manuel bandeira]