26 de fevereiro de 2012

14 de fevereiro de 2012

Hoje eu pensei em você
pensei em nunca mais deixá-la me abandonar
pensei em gritar o mais alto que pudesse para me escutar

Hoje eu pensei em mim
pensei em me largar para não chorar
pensei em deixar-me para viver

Hoje eu pensei em nós
pensei no que não fomos, no que não seremos
pensei que pudesse resgatar o pouco que tivemos

Hoje eu pensei em mim
pensei em sentir mais uma vez sua pele macia
pensei em mais uma vez beijar sua boca deliciosa

Hoje eu pensei em você
pensei em correr e te segurar
pensei em falar e calar

Hoje eu pensei em nós
pensei nos encontros e desencontros
pensei vivermos de novo um último segundo a sós.

12 de fevereiro de 2012


Venho por meio desta me resignar, entregar meu corpo, minha cabeça, meu coração e minha alma nessa mesa, nesse pedaço de madeira velha. Venho desembuchar todas as palavras que ficaram paralisadas. Venho buscar arrependimento e misericórdia. Não quero julgamento, pois já o fiz sem piedade. Quero a certeza de que a dor e a morte venham me buscar, pegar em minha mão e dizer palavras carinhosas antes do golpe final. Pequem! Pequem sempre, pois só assim saberemos estar vivos! Nada me importa agora, apenas essa solidão que me assombra noite e dia, esse vazio que me persegue, me corrói. A visão começa a faltar-me. Mas desde quando eu enxergo? Nem lembro mais dos sabores das cores e os cheiros do som. Aqui jaz apenas um espectro ambulante, com um cajado numa mão e a morte na outra. Deito-me nessa mesa para repousar meus pensamentos que me cansam há milênios. Deito-me porque meu corpo ri da fraqueza do meu coração. E é aqui que ficarei por séculos a vir. É aqui que cantarei a canção que você fez para mim.

9 de fevereiro de 2012

eu grito com a louca que há em mim,
destrato,
escarro,
estapeio...

nada me tira da letargia,
do abandono,
das mesmas falsidades ajoelhadas.

eu grito.
e sucumbo.
o desejo que invade
boca que chama seu beijo
calor que acomete, seja no calor, seja no frio.

as teias emaranhadas
por olhares lascivos e
as palavras ditas no sussurrar da noite.

nada consome a verdade
e esse sentimento que não passa,
essa potência que amedronta e não apazigua.

meu medo de amar acabou,
acabou em seus lábios,
em seu corpo.

o passado que confronta o futuro incerto,
os sonhos que mostram a vida.

nada há para se dizer.
nada há para se mostrar.

apenas eu e a imagem,
eu e o desejo,
eu e o incerto.

21 de janeiro de 2012

quando criança eu sentia alguma coisa diferente, não sabia, não entendia o que era, mas sabia que existia essa diferença. eu olhava para minhas coleguinhas de escola e não gostava de brincar com elas e suas bonecas. mas também não gostava de brincar com os meninos e seus carrinhos. gostava de jogar futebol. gostava de brincar com outros tipos de jogos. não entendia ser menina. não entendia ser menino. entendia ser a mim. ser eu mesma, diferente como eu sentia.
com o passar dos anos, fui esclarecendo algumas coisas. comecei a entender certos sentimentos. mesmo assim, sabia que existia essa diferença. mas não conhecia ninguém com a mesma diferença. os sentimentos são como água em ebulição, principalmente quando pensamos que podemos estar errados. mas também sabia não estar errada. como poderia estar errada? eu estava ali, vivendo, crescendo, morrendo cada dia um pouco.
mais uns anos eu cofirmei que não estava errada, muito menos estava sozinha nesse mundo. existiam outros como eu. talvez não com os mesmos sentimentos. talvez não com os mesmos pensamentos. nem as mesmas aceitações. mas me confirmei ao mundo. me confirmei a mim. e logo um sorriso cresceu em meus lábios.

8 de janeiro de 2012

as duas vezes em que lhe vi
faltou-me coragem dizer-te:
fazes-me falta!