6 de setembro de 2013

As palavras que vem e vão
tem sabor de morango mordido ou de amora fresca, roubada da árvore, e o sorriso da menina que passa do seu lado e chama sua atenção, te faz lembrar dos versos descobertos na cama, quando você apalpa o caminho do pecado e aquele sorriso chega para te presentear mais uma vez.
“Estou pronta!” – penso. Mas pronta para o quê, exatamente? E a vontade de sair pelas ruas a sua procura é tão intensa que esquece o caminho percorrido e perde-se mais uma vez nas lembranças.


Sentada no banco da praça,

ela diz, à sua frente:
"Cheguei!"
Mas ao olhar só enxerga o sol te cegando
e o calor que se manifesta ardentemente.
As palavras que vem e vão,
os amores que vem e vão.

E é de se estranhar que o coração

sempre chama pelas mesmas vozes,
e é de estranhar que o rádio
toca as mesmas canções,
e você sempre a mesma a procurar.

3 de setembro de 2013

Aqui chove dor
doença que maltrata o coração
que maltrata a alma

Aqui pinga solidão
sensação de tristeza
tempestade de paralisia

Aqui evapora sonhos
sorrisos que fogem dos lábios
tentação do caminho sem rota

Aqui mora a infelicidade
protetor das causas perdidas
e dos poetas sem sonhos.

17 de agosto de 2013

Observando a noite iluminada pelas luzes da cidade
Minha mente foge para onde te perdi
Um caminho sem volta, sem sonhos
Apenas com a solidão como companheira.
O cigarro, o copo de vinho,
Um disco da Joni Mitchell e minhas lembranças.
Como testemunha do silêncio,
o vaso na sala.

13 de agosto de 2013

“Por que as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros as satisfaçam, e, contudo, se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?”

[Haruki Murakami - Minha querida Sputnik]

27 de julho de 2013

"Nós recebemos a visita da poesia, nós não podemos achar que construímos a poesia."
[Criolo]

1 de julho de 2013

Velha carta

a velha carta encontrada no meio do livro trouxe-lhe sensações outrora esquecidas. vindas sabe-se lá de onde, velhas lágrimas esbarraram em seus cílios e caíram pelo rosto. o perfume ainda estava impregnado na memória e as lembranças corriam para chegar o mais rápido possível. abraçou a carta contra seu peito. sentou-se no sofá e não pensou em mais nada durante o dia.

Ele partiu
e me deixou
com um corpo sem sonho
Ele partiu
e a dor da perda
estancou meu sangue
Lá se vai
meu pobre coração
correndo o mais que pode
Aqui jaz meu corpo
minha alma derradeira
meus olhos marejados.