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4 de maio de 2011

Inocência

Correndo pelo pátio, a pequena Sarah chorava, enquanto suas mãos sujas de sangue doíam. Mais dolorido ainda estava seu coração, tão pequeno e que outrora não sofria. O pátio não parecia tão grande quando ela e seus amiguinhos brincavam, os cinco minutos que levou para percorrê-lo todo, foram os mais demorados de sua curta vida. Vida que ficaria marcada por aquele momento. Por um segundo imaginou-se dali vinte anos, pensando nesse exato momento de tortura e solidão, percorrendo o pátio mais longo de toda sua infância. Infância que terminou. Infância que ficou para trás com as brincadeiras. Agora ela era gente grande. Agora sairia para trabalhar como sua irmã mais velha. Agora sentiria na pele o cansaço do dia e da noite. Agora... O agora ficou pra trás, só existe o futuro a partir desse acontecimento. Só existe a vida que ela ainda não conhece e que a surpreenderá.

17 de abril de 2011

Platonices

Eu quero gritar
Sufocar
Quero rezar a lenda
Que meu amor é novo

Eu quero beijar
Sua boca sedenta
Meu corpo que chama o seu
Que não responde

Correr faz diferença?
O impossível da verdade
É a mentira que ela nos conta

Esquecer? Pensar em outras?
Só me faz pensar mais
Nos olhos que não me vêem.

9 de abril de 2011

Notas de um dia bizarro

NOTA 1

Em frente ao meu local de trabalho há uma casa onde moram dois idosos. Um senhor e uma senhora. Cotidianamente, eu e minhas colegas de trabalho, vemos esse casal limpando, saindo e voltando, abrindo e fechando o portão. O que ninguém sabia era o que acontecia por trás daquelas paredes. Não que eu ficasse imaginando, mas em nossas mentes, um casal daquela idade (cerca de 70, 80 anos cada um), pensávamos que era um casal que viveu juntos por anos, passaram por momentos turbulentos, filhos, netos, talvez bisnetos. Hoje a senhora cai e uma de nós fomos lá saber como ela estava, pois havia uma ambulância em frente a casa. Não é que minha colega descobre que esse casal, na verdade, não é um casal. O senhor é divorciado de sua esposa há anos, ela foi babá dos filhos desse matrimônio rompido. E lá moram eles, há anos, juntos.

NOTA 2

Estava eu na academia e a coisa mais bizarra do meu dia aconteceu: uma senhora arranca a bermuda de coton dela e fica arrumando a calcinha na frente de todos. Homens e mulheres. E ela nem se deu conta do que fez!

NOTA 3

Pedimos uma pizza que levou mais de uma hora e meia para chegar. Quando chegou, estava fria e sem refrigerante.

NOTA 4


A vida se manifestando de forma agressiva, desigual. Cansada de estar sempre atrás. Cansada de nunca ter e nunca ser desejada pelas pessoas que me interesso.
Irritação.
Depressão.
Angústia.
Não quero passar por isso novamente.

E ponto.

30 de março de 2011

O amor derruba
prédio e canções
Vida algum se prende
em mentes e mansões
Corações de pedra
Corações de gelo
Permita-me chegar
no momento perdido
Permita-me abraçar
o começo de tudo
O amor não morde
não grita e não pede
O corpo não mente
chama e prende
O silêncio abafa
chora reclama
Cantei céus e estrelas
e olhos nenhum me amam.

18 de janeiro de 2011

quero manter o silêncio de minh'alma
parar de proferir palavras fúteis e sem sentidos
quero crescer na humildade das letras
que voam o paraíso das bibliotecas.

quero chover sorrisos
e cantar lágrimas.

...

o ser insustentável que me habita
morre a cada segundo um pouco
a cada segundo eu envelheço mais
e mais e mais e mais.

os sonhos derretem algodão-doce
e eu queimo com minha saudade inesgotável.

16 de janeiro de 2011

não importa o jeito como me olhas, mas sim como me tocas
seus lábios já não estão mais por perto
a tênue linha entre minha loucura e sua lucidez
está no barco indo rumo ao norte

o frio da cama será sempre o mesmo
com ou sem você...

30 de dezembro de 2010

Eu sou risos e luas...
E quando choro
Chovo pedras de gelo,
Grito vozes de refugiados,
Sinto o peito explodir.

Sonho palavras em estrangeiro
Cantando flores de plásticos

Pare o tempo!
Pare as horas!
Pare o mundo!

Deixe brilhar aquela última estrela.
Deixe tocar aquela última canção.

Sim, perdida estou.
Perdida estás!

Mas onde me encontrar?

5 de dezembro de 2010

As horas passam
e não convencem
que a vida diminui

as horas restam,
tremem, choram,

as horas escorrem,
embebedam, satisfazem.

Minhas horas,
as horas,
tais horas,
quais horas?

As horas passam
as horas restam
as horas escorrem
por entre mãos mordidas de vida.

22 de agosto de 2010

A vida é um sonho, como um trem que nos transporta para muitos lugares e, às vezes, essa viagem não é boa. Esperamos ter sempre momentos felizes, momentos que não esqueceremos. Minha história é assim: cheia de momentos felizes, mas quero esquecê-los. Por não poder ter mais esses sentimentos de volta, quero esquecê-los, assim posso renovar pensamentos, sensações. Posso voltar a olhar ao redor e ver tudo novo, sentir a brisa em minha pele e senti o amor chegar novamente. Mas é tão difícil sentir novamente, ter amor, dar amor.

Ela foi embora. Foi como um trem que parte e não diz adeus! Deixou-me esperando, sentada num banco de praça, com um buquet de flores na mão. Deixou-me lendo palavras duras e insensatas. Ao partir, a lua deixou de brilhar, o sol deixou de aparecer, a música deixou de tocar e as pessoas me esqueceram. Meus olhos já não enxergam mais, minha voz não é mais a mesma, as palavras não saem e quando saem são para trovejar aborrecimentos.
Ela partiu, partindo meu coração em mil pedaços. Ela sonegou meu direito de esbravejar. Ela me aborreceu com a ausência de lágrimas, com a ausência de toques e olhares. Tudo tornou-se pequeno e sufocante. A vida, o sonho e a felicidade derreteram por entre espinhos de flores mortas e secas pela ausência de amor.

20 de julho de 2010

2 de julho de 2010

quando criança, fui costurada. fecharam todos meus sentimentos em um saco e jogaram no mar. fui costurada e ninguém se importou se um dia eu me importaria. então eu me misturo entre areias e sol, de cidade em cidade, de litoral a litoral, procurando aquele saco de pandora, onde poderei expor meus sentimentos. as pessoas não sabem qual é a sensação de poder sorrir. eu não sei o que é isso. nunca chorei. nunca gritei. nunca amei...
não há lugar no mundo para mim. não há quem queira conversar com alguém que não saiba se expressar. não há quem queira vagar com um fantasma. pois sou exatamente isso: um fantasma. o fantasma dos sentimentos que estão soltos por aí e ninguém se importou em me dar.

26 de junho de 2010

Tenho medos dessas lembranças
que me invadem com dor e lágrimas.
Tenho medo das sensações sentidas
que jamais expressei.

Sorrisos mostrados, toques
brilho no olhar
e só.

Só na calada da noite
caminhando pela cidade
sem rumo.

Só, somente só...

22 de junho de 2010

queria entender porque aquela cadeira esta vazia. queria poder preenchê-la de vida, novamente! trazer o sorriso que me conquistou, o toque que me arrepiou... as palavras não são mais como antigamente, os sentimentos prometem, mas não melhoram. o coração bate, bate, bate, mas parece que parou de bater há muito tempo.
fico aqui, parada, olhando fixamente para a cadeira que foi sua um dia. pensando que o passado passou depressa demais e o futuro está chegando com mais pressa ainda. obcecada com o momento que nos separou para sempre, que nos separou, que agitou meu corpo a ser outra coisa que não mais seu...
e o mundo não para só porque eu quero... e eu não consigo me movimentar...

6 de abril de 2010

um pouco do antes
um pouco do depois
um pouco do nada
um pouco do tudo

um pouco é pouco
quero muito
e do muito quero pouco

14 de março de 2010

perdida em meu silêncio. perdida na escura noite solitária, onde o vazio faz mais barulhos que os vizinhos. pensamentos distraem e destroem meu ser inabitável. onde posso me encontrar? onde sou aquilo que posso ser? onde encontrar palavras de conforto e abraços de amor? o sonho se torna pesadelo e rodeia a solidão. meu corpo entre o silêncio obscuro e a dor infame; entre o vazio e a falta; entre o pesadelo e a loucura.

posso me encontrar em seus braços algum dia? você me receberá? posso novamente olhar em seus olhos e me encontrar?

como gostaria de te encontrar agora...

8 de março de 2010

meu desejo inefável. ela passa e eu saboreio o momento divino. os olhos meigos, disfarçados, me atacam com força. me assanham. me diluem. cada gesto me tira dessa agonia de não poder tocá-la, de não poder sonhá-la. seus lábios... é um alívio poder encontrá-los tão próximo! mas é um martírio não poder beijá-los!
sorrisos amarelos, desvios de olhares. sensatas sensações que arrebatam o coração. possíveis futuros, possíveis toques. o gosto ainda desconhecido e tão desejado. desejo. desejo. desejo. mais um encontro de olhares e mais sorrisos amarelos. timidez. simplicidade. o toque que chega a doses homeopáticas. gotas de chuva começam a cair.
você passa. o tempo passa a ser outro quando se vai. meu sorriso some. minha voz não sai. desejo. desejo reprimido. timidez. sensações.

24 de fevereiro de 2010

não sei por onde começar
o início é pior que o fim
saídas não existem
sorrisos perdidos entre estrelas
lua fugindo do sol
palavras que voltam
e que batem
e machucam
sonhos
desejos
você

24 de janeiro de 2010

sangue escorrendo pelas mãos

pinga pinga pinga

pinga pinga pinga

pingapingapinga

gota por gota
afogando-me
lamentando
lembrando-me

15 de janeiro de 2010

boca com boca
língua buscando outra língua
numa volúpia incessante

tesão
suor

mão percorrendo corpo
corpo grudado em outro corpo
boca percorrendo corpo

gozo
êxtase

8 de janeiro de 2010

hoje eu vivo
e aniquilo
aquilo que me despreza
aquilo que me desconsidera

hoje meu mundo é esse
cheio de cor, cheio cinza,
de branco, de preto
e um pouco de vermelho

hoje os sonhos se realizam
amanhã, quem sabe?
hoje sou feliz,
amanhã também...