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Venho por meio desta me resignar, entregar meu corpo, minha cabeça, meu coração e minha alma nessa mesa, nesse pedaço de madeira velha. Venho desembuchar todas as palavras que ficaram paralisadas. Venho buscar arrependimento e misericórdia. Não quero julgamento, pois já o fiz sem piedade. Quero a certeza de que a dor e a morte venham me buscar, pegar em minha mão e dizer palavras carinhosas antes do golpe final. Pequem! Pequem sempre, pois só assim saberemos estar vivos! Nada me importa agora, apenas essa solidão que me assombra noite e dia, esse vazio que me persegue, me corrói. A visão começa a faltar-me. Mas desde quando eu enxergo? Nem lembro mais dos sabores das cores e os cheiros do som. Aqui jaz apenas um espectro ambulante, com um cajado numa mão e a morte na outra. Deito-me nessa mesa para repousar meus pensamentos que me cansam há milênios. Deito-me porque meu corpo ri da fraqueza do meu coração. E é aqui que ficarei por séculos a vir. É aqui que cantarei a canção que você fez para mim.

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