Eu sou risos e luas...
E quando choro
Chovo pedras de gelo,
Grito vozes de refugiados,
Sinto o peito explodir.
Sonho palavras em estrangeiro
Cantando flores de plásticos
Pare o tempo!
Pare as horas!
Pare o mundo!
Deixe brilhar aquela última estrela.
Deixe tocar aquela última canção.
Sim, perdida estou.
Perdida estás!
Mas onde me encontrar?
Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens
30 de dezembro de 2010
20 de maio de 2010
13 de março de 2010
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
(...)
[Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade]
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
(...)
[Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade]
21 de janeiro de 2010
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do o caso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
[Manoel de Barros]
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do o caso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
[Manoel de Barros]
26 de novembro de 2008
O invisível
tudo bem se não vem além do sonho
amanhã será igual, será de novo
e não tenho nada pra mudar em você
e não tenho nada pra dizer, porquê...
e não tem porquê partir
e não tem porquê ficar
e não tem porquê partir
não tem porquê duvidar de mim
olha não sou de ferro, não sou de aço
mas sou teu
olha não sou de nada,
não sou ninguém
mas sou teu,
meu bem.
será que eu sou o invisível
o homem que ninguém vê
a mulher que ninguém vê
será que andei por me perder
por me vender
pra viver
acho mesmo que eu sou
o caminho do meio
o bebê que não veio
aquele que ninguém quer saber
o plano era ficarmos bem
irmos pro além mar
o plano era ficarmos bem - bem.
amanhã será igual, será de novo
e não tenho nada pra mudar em você
e não tenho nada pra dizer, porquê...
e não tem porquê partir
e não tem porquê ficar
e não tem porquê partir
não tem porquê duvidar de mim
olha não sou de ferro, não sou de aço
mas sou teu
olha não sou de nada,
não sou ninguém
mas sou teu,
meu bem.
será que eu sou o invisível
o homem que ninguém vê
a mulher que ninguém vê
será que andei por me perder
por me vender
pra viver
acho mesmo que eu sou
o caminho do meio
o bebê que não veio
aquele que ninguém quer saber
o plano era ficarmos bem
irmos pro além mar
o plano era ficarmos bem - bem.
Rick, um grande amigo meu, escreveu essa poesia para uma música que fiz.
13 de outubro de 2008
Para viver um grande amor - Vinicius de Moraes
"Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor."
22 de junho de 2008
Para você...
... que nunca lerá isso, que jamais saberá, que é inatingível e inseparável de mim. Um dia, eu espero...
"Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada."
Hilda Hilst, Amavisse, II
"Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada."
Hilda Hilst, Amavisse, II
11 de fevereiro de 2008
Aviador maluco
Cazuza, 1989, última letra feita por ele
Eu acho que ele ficou maluco
de tanto voar e voar
nos cruzeiros malucos do ar
Socorro, meu comandante!
não tenho rota e nem sei mais a distância
entre o Pará e a China
Por que nós que salvamos vidas
somos pessoas tão fracas?
O piloto está maluco
e a nossa vida só vale um minuto
*Retirado do livro Preciso dizer que te amo - Todas as letras do poeta
Cazuza, 1989, última letra feita por ele
Eu acho que ele ficou maluco
de tanto voar e voar
nos cruzeiros malucos do ar
Socorro, meu comandante!
não tenho rota e nem sei mais a distância
entre o Pará e a China
Por que nós que salvamos vidas
somos pessoas tão fracas?
O piloto está maluco
e a nossa vida só vale um minuto
*Retirado do livro Preciso dizer que te amo - Todas as letras do poeta
7 de dezembro de 2007

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.
Alberto Caeiro
4 de dezembro de 2007
Pensamento do dia
"Através dos visíveis rumos ao invisível
O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demasia estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isto, o sábio em sua alma
determina a medida para cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
setas que apontam para o Invisível."
Lao-Tsé
O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demasia estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isto, o sábio em sua alma
determina a medida para cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
setas que apontam para o Invisível."
Lao-Tsé
22 de novembro de 2007
Luar
Lua que destila mel aos lábios dos loucos
Os jardins e os burgos esta noite são gulosos e roucos
Os astros até que imitam bem as abelhas
Deste mel luminoso que escoa das parreiras vermelhas
Pois eis que bem doce e caindo do céu
Cada raio de lua é um raio de mel
Ora escondido eu concebo a aventura muito doce
Tenho medo do dardo de fogo que esta abelha estrela trouxe
E que pousou nas minhas mãos os raios dos lamentos
E tomou seu mel lunar à rosa-dos ventos
Apollinaire
Os jardins e os burgos esta noite são gulosos e roucos
Os astros até que imitam bem as abelhas
Deste mel luminoso que escoa das parreiras vermelhas
Pois eis que bem doce e caindo do céu
Cada raio de lua é um raio de mel
Ora escondido eu concebo a aventura muito doce
Tenho medo do dardo de fogo que esta abelha estrela trouxe
E que pousou nas minhas mãos os raios dos lamentos
E tomou seu mel lunar à rosa-dos ventos
Apollinaire
1 de outubro de 2007
texto aristotélico
vínculo da poesia com o universal
"de acordo com o que foi considerado previamente, se manisfesta que o ofício do poeta não é narrar o que aconteceu; é, na verdade, representar o que poderia acontecer, isto é, o que é possível conforme a verossimilhança e a necessidade. com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem em verso ou prosa, mas, sim, porque um diz as coisas que aconteceram e o outro, as que poderiam acontecer. por isso a poesia é mais filosófica e séria que a história, pois aquela se refere ao universal e esta ao particular. 'referir-se ao universal' significa atribuir a um indivíduo de uma natureza determinada pensamentos e ações que, por liame de necessidade e verossimilhança, convêm a tal natureza. a poesia visa ao universal entendido dessa maneira, apesar de dar nomes às suas personagens; particular, ao contrário, é o que faz Alcebíades ou o que a ele aconteceu."
(Aristóteles, Poética, 1451b)
"de acordo com o que foi considerado previamente, se manisfesta que o ofício do poeta não é narrar o que aconteceu; é, na verdade, representar o que poderia acontecer, isto é, o que é possível conforme a verossimilhança e a necessidade. com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem em verso ou prosa, mas, sim, porque um diz as coisas que aconteceram e o outro, as que poderiam acontecer. por isso a poesia é mais filosófica e séria que a história, pois aquela se refere ao universal e esta ao particular. 'referir-se ao universal' significa atribuir a um indivíduo de uma natureza determinada pensamentos e ações que, por liame de necessidade e verossimilhança, convêm a tal natureza. a poesia visa ao universal entendido dessa maneira, apesar de dar nomes às suas personagens; particular, ao contrário, é o que faz Alcebíades ou o que a ele aconteceu."
(Aristóteles, Poética, 1451b)
16 de agosto de 2007
Parem todos os relógios
Desconectem o telefone.
Impeçam o cão de latir
Com um suculento osso.
Calem os pianos, e,
Ao som de tambores rufando, tragam o caixão.
Que venha o cortejo.
Deixem os aviões
Voarem no céu
Escrevendo a mensagem:
“Ele está morto”.
Ponham laços de crepom
Nos pescoços das pombas.
Que os guardas de trânsito
Usem luvas pretas de algodão.
Ele era o meu Norte,
meu Sul, meu Leste e Oeste,
a minha semana de trabalho
e o meu domingo,
meu meio-dia,
minha meia-noite,
minha fala
e minha canção.
Achava que o amor ia durar para sempre.
Eu me enganei.
As estrelas não são necessárias agora.
Desliguem todas.
Embrulhem a lua
E desmanchem o sol.
Esvaziem o oceano
E limpem a mata.
Pois nada mais vale a pena.
W. H. Auden
13 de fevereiro de 2007
Ai se Sêsse...
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
- Cordel musicado maravilhosamente por Cordel do Fogo Encantado
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
- Cordel musicado maravilhosamente por Cordel do Fogo Encantado
Assinar:
Postagens (Atom)