Por que escrever versos na areia da praia, que o mar pode apagar, quando se pode escrevê-los com as estrelas do céu?
Jacint Verdaguer - clérigo e escritor catalão
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6 de março de 2011
20 de janeiro de 2011
Há [...] dois sentidos do espaço: o espaço quinestético, aquele do toque e do movimento, infinito, isotrópico, homogêneo, tridimensional, cujo modelo rigoroso é o espaço cartesiano. E o espaço visual, não infinito, não isotrópico, não homogêneo, cuja tridimensionalidade é imaginária; o modelo geométrico dele é duvidoso e é precisamente em sua procura que se obstina, de início, a fantasia.
Da cena à tela, ou o espaço da representação, in O olho interminável [cinema e pintura], Jacques Aumont.
Da cena à tela, ou o espaço da representação, in O olho interminável [cinema e pintura], Jacques Aumont.
1 de janeiro de 2010
13 de outubro de 2009
uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. apesar de, se deve comer. apesar de, se deve amar. apesar de, se deve morrer. inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector
28 de julho de 2009
Anjo que tardas, minha lotaria, dá-me as tuas asas que eu dou-te alegria. Anjo sem casa nem sabedoria, balda-te ao céu, faz-me companhia. Anjo fugido, de cabeça esguia, pousa no meu colo e diz-me “bom-dia”. Anjo enganado, cor da minha vida, volta para o meu lado ou dá-me uma saída. Anjo do escuro, pássaro sem medo, leva as minhas penas, dá-me o teu segredo.
(Inês Pedrosa - Fazes-me falta)
25 de junho de 2009
"(...) Ajoelhou-se trêmula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor: alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."
Trecho do livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector
1 de março de 2009
26 de novembro de 2008
3 de setembro de 2008
14 de agosto de 2008
"Ah, mas como eu desejaria lançar ao menos numa alma alguma coisa de veneno, de desassossego e de inquietação. Isso consolar-me-ia um pouco da nulidade de acção em que vivo. Perverter seria o fim da minha vida. Mas vibra alguma alma com as minhas palavras? Ouve-as alguém que não só eu?"
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Ai, meu caro amigo Pessoa! Se soubesses o quanto me desassossega! O quanto suas palavras fazem com que minha alma vibre ao saber que não sou única no mundo. Que não é só os meus tormentos que me fazem desassossegada. Não sabes que quando o leio, todas suas palavras vão se tornando parte de mim. Tomando conta de meu coração e fazendo-me chorar, ora de alegria, ora de tristeza.
Em tempos como esse, onde me escondo e me mostro, quando me atinjo e me protejo, seu livro é que me confortas! Porque lê-lo me faz esquecer. E faz-me escrever também! E como você mesmo diz "escrever é esquecer".
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego
Ai, meu caro amigo Pessoa! Se soubesses o quanto me desassossega! O quanto suas palavras fazem com que minha alma vibre ao saber que não sou única no mundo. Que não é só os meus tormentos que me fazem desassossegada. Não sabes que quando o leio, todas suas palavras vão se tornando parte de mim. Tomando conta de meu coração e fazendo-me chorar, ora de alegria, ora de tristeza.
Em tempos como esse, onde me escondo e me mostro, quando me atinjo e me protejo, seu livro é que me confortas! Porque lê-lo me faz esquecer. E faz-me escrever também! E como você mesmo diz "escrever é esquecer".
24 de maio de 2008
10 de abril de 2008
23 de janeiro de 2008
19 de setembro de 2007
Não é só a inércia responsável pelo fato das relações humanas se repetirem caso após caso indescritivelmente monótonas e viciadas. É a inibição frente a qualquer experiência nova e imprevista com a qual não nos achamos capazes de lidar. Mas só alguém que esteja disposto a qualquer coisa que não exclua nada, nem mesmo o mais enigmático viverá a relação com o outro como uma experiência nova.
Rainer Maria Rilke
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