Olfato

11:50

Vou começar uma série de histórias que ligam a mesma personagem, uma mulher que viaja para fazer programa sobre turismo. Em suas andanças ela estará nos encalços dos sentidos: olfato, tato, audição, paladar e visão. Nesta primeira história será o olfato e o encontro misterioso de um perfume e sua adoradora. Espero que gostem!


Foi a última noite em que passaram juntos. O desejo sempre aflorado, a pele estremecia a cada gemido. Mas sabiam que depois daquela noite não poderiam mais se ver. Ele voltaria para os braços de sua ex-mulher e ela faria a viagem de sua vida para a Europa, com sua câmera e seu computador, para gravar um programa de viagens.

Na manhã seguinte, ao virar-se na cama, sentiu que ele já havia ido embora e ao abraçar o travesseiro sentiu o cheiro que sempre a embriagou. Aquele suave perfume cítrico impregnava qualquer estabelecimento, qualquer rua por onde passava. O cheiro ficava por horas em sua pele. Sentou numa cadeira afastada da cama e fitou o travesseiro. Apesar da distância que tomou, ainda sentia o cheiro. Lembrou-se da primeira vez que sentiu aquele perfume e como o dono dele a deixou enfeitiçada. Os encontros em lugares inusitados, como em cafeterias e livrarias. Ele tinha se separado há pouco tempo, precisava de solitude, e era em lugares como livrarias que a achava.

Os dois começara a sair, se envolver. Mas o coração dele sempre foi da esposa. Jamais a esqueceu. E a relação deles, ela sempre soube, foi atração física e só. De certa forma, o amou muito, mas agora tinha acabado. Cada um tinha que seguir seu caminho.

Levantou-se da cadeira, separou a roupa com que viajaria, tocou seu próprio corpo para sentir o toque do cheiro dele pela última vez e entrou no chuveiro. Água quente. Banheira gostosa. Colocou a roupa, bateu a porta e foi embora. Dentro do quarto, que a camareira logo limparia, ficou o cheiro cítrico, embriagante que ele havia deixado para trás.

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