Visão

22:53


Numa tarde fria, numa praça, sentada num banco, Sílvia contemplava a vida ao seu redor. Nas últimas semanas, sentia muita saudade da família, seu sobrinho, sua casa, seus amigos. Como tinha costume, ficou apenas sentada, pensando e observando tudo. Depois de algum tempo sentada, uma senhora aproximou-se. Sílvia notou que a senhora era cega e perguntou se ela precisava de ajuda. A senhora, que se chamava Nena, disse que não, mas que gostaria de se sentar um pouco para descansar.

Ficaram em silêncio por um tempo, até Nena perguntar como estava a paisagem. “Eu costumava vir aqui com meu falecido marido. Ele me descrevia tudo o que acontecia. Acho que ele até mentia sobre as nuvens, dizendo que tinham formatos. Como nunca enxerguei, não sei como são, mas meus netos me disseram que as nuvens são como algodão doce”. As duas riram e Sílvia começou a descrever a paisagem.

O lago estava com gelos boiando, as árvores com os galhos brancos de neve, as nuvens não formavam desenhos, mas, sim, eram parecidos com algodão doce, havia crianças correndo, outras montando bonecos de neves, outras querendo fazer de seu cachorro um boneco de neve. Os pais, sentados em algum banco, liam ou ficavam observando seus pequenos de longe. Depois de descrever tudo a senhora, ela contou como era no Brasil e o quanto sentia saudade de casa. As duas conversaram por muito tempo, até Nena dizer que precisava ir embora, pois seu filho a buscaria na entrada do praça.

À noite, no hotel, Sílvia imaginou a vida daquela senhora que nunca enxergou, mas que parecia ter sido muito feliz apesar de tudo. Gostou muito de conhecê-la, mesmo que tenha sido por algumas horas, num banco frio de uma praça qualquer.

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