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27 de fevereiro de 2011

Howl [2010] - dir. Rob Epstein e Jeffrey Friedman



O livro "Uivo e outros poemas" do poeta beat Allen Ginsberg foi publicado nos final dos anos 50 e gerou polêmicas pelas palavras usadas pelo poeta. Tanto o editor do livro, quanto Ginsberg sofreram um processo para censurá-lo, mas foi liberado pela censura e rendeu milhões de cópias, vendidas até hoje.
O filme "Howl", estrelado pelo ator James Franco no papel do poeta beat, é uma mistura de poesia visual, ótimas atuações, uma edição brilhante e com muita animação.
o filme não tem segredo: gira em torno de uma entrevista que Ginsberg concede a alguém sobre sua vida, sua poesia, seus amores e o porque começou a escrever, o processo que tentou tirar o livro das estantes e cenas do poeta declamando fervorosamente seu poema para amigos, além do poema ser seguido de animações tão "desconcertantes" quanto suas palavras. Não precisa de mais nada, apenas deliciar-se com as imagens e as palavras.

"Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
asrrastando-se pelas ruas do bairro negro em busca
de uma dose violenta de qualquer coisa..."

Infelizmente é um filme para poucos, para quem gosta de poesia e para quem se interessa pela geração beat, grupo de poetas que deixou os EUA fervorosa com suas palavras "obscenas" e rasgadas.

13 de outubro de 2009

uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. apesar de, se deve comer. apesar de, se deve amar. apesar de, se deve morrer. inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.

uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector

25 de junho de 2009

"(...) Ajoelhou-se trêmula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor: alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."
Trecho do livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector

26 de novembro de 2008

"Existir é renegar. Que sou hoje, vivendo hoje, senão a renegação do que fui ontem? Existir é é desmentir-se. Não há nada mais simbólico da vida do que aquelas notícias dos jornais que desmentem hoje o que o próprio jornal disse ontem."

Fernando Pessoa - Livro do Desassossego

5 de abril de 2008

Desafio aos Leitores com Essência

Fui convidada por Sandra a participar de um desafio: o Desafio aos Leitores com Essência! Esse desafio é escolher um livro que tenha palavras que fizeram você pensar, que puderam mudar um pouco sua vida. Um livro que você guarda com o maior carinho, digamos assim! E o desafio é partilhar esse livro com outros leitores. Esse parágrafo que escreverei é interessante pela última fase, e foi o que mais me chamou atenção quando li, além de adorar esse livro.

"MORGANA FALA...


Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. Na verdade, cheguei agora a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas. Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra. O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que Cristo predomina. Nada tenho contra Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré - que realmente foi oderosa, ao seu modo -, que, dizem, foi sempre virgem. Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?"

A partir de então, minha visão religiosa começou a mudar. Este parágrafo é do livro As Brumas de Avalon - A Senhora da magia, o primeiro de uma série de quatro livros.

frase extraída da página 9

26 de novembro de 2007

Leitura demais?

Mais uma vez mudei o template do blog. Acho que agora ficou legal, combinou com o nome e a imagem dele.

Mais uma semana começando. Mais livros para ler. A pilha aumenta todo mês, nem sei mais por onde começar. Mesmo lendo dois ou mais livros ao mesmo tempo, essa pilha não diminui. Esse ano já li 21 livros e estou lendo O Segredo, aquele que todos estão comentando, tem filme-documentário, e mostra como conseguir tudo o que desejamos. Estou gostando, acredito nessas coisas e as coisas que quero estão aparecendo. Crime e Castigo não consigo terminar nunca, nem cheguei na metade do livro e estou lendo há muito tempo.

Listinha dos livros que li até agora e que terão suas "críticas" postadas nesse blog em breve:

* Fernando Pessoa - Poemas completos de Alberto Caeiro
* Jean-Paul Sartre - O muro
* Federico Garcia Lorca - Antologia Poética
* José Saramago - Ensaio sobre a cegueira
* Sun Tzu - A arte da guerra
* Céline Curiol - Voz sem saída
* Robert Crumb - Fritz, the Cat (quadrinhos)
* Inês Pedrosa - Fazes-me falta
* Osho - Coragem
* Anais Nin - Uma espiã na casa do amor
* Jean-Claude Carrière - A linguagem secreta do cinema
* Danielle Steel - Cinco dias em Paris
* Markus Zusak - A menina que roubava livros
* Manuel Bandeira - Libertinagem & Estrela da manhã
* Sérgio Buarque de Hollanda - Raízes do Brasil
* Jack Kerouac - Tristessa
* Minelvino Francisco da Silva - Cordel
* Bill watterson - Calvin e Harol - Foi assim que tudo começou
* Denis Lehane - Paciente 67
* Julio Cabrera - O cinema pensa - Uma introdução à Filosofia através dos filmes
* James C. Hunter - O monge e o executivo

5 de outubro de 2007

Brincando de meme!?!?

Meme? O que é isso? Eu explico. Meme significa:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blog.

Pronto, aí é só brincar. Fui convidada pelo Alexandre a participar dessa brincadeira e postarei a frase de um livro que eu leio já há algum tempo e não consigo terminar nunca. O livro é denso demais e longo (600 pág.). Mas na verdade eu o leio devagar, um capítulo de cada vez, para poder ficar mais à vontade com a leitura. O livro é Crime e Castigo, de Dostoievski. O personagem principal desse livro é tão bipolar que me deixa zonza quando leio. Mas ler Dostoievski é maravilhoso! Adoro.

E a frase é:

"O espírito empreendedor se consegue a muito custo, não cai do céu, de graça."

Dostoievski, Fiódor. Crime e castigo; tradução Paulo Bezerra; gravuras Evandro Carlos Jardim - São Paulo: Editora 34, 2001.

E os blogs escolhidos são:
1) Eutánasia, Ana Regina;
2) Brechó Carioca, Luiz Carioca;
3) Sinequanonsense, Max;
4) Retalhos do Mosaico, Menina dos cabelos amarelos; e
5) TaxiTramas, Mauro Castro.

Eu ia refazer o convite do Alexandre, mas ele já postou a frase no blog dele. Valeu pelo convite, Alexandre.

11 de setembro de 2007

"Se apenas eu tivesse o eu mágico da primeira infância quando me lembrei como era antes de eu nascer, não me preocuparia mais com a morte agora que sei que as duas são o mesmo sonho vazio."

Kearouac, Jack. Tristessa; tradução Edmundo Barreiros - Porto Alegre, RS: L&PM, 2006.


"Cada livro de Kerouac é um único e telepático diamante."
(Allen Ginsberg)

6 de setembro de 2007

"Que o cinema seja uma enorme simulação não diz nada contra sua pretensão de verdade. Será preciso ver como essa simulação se situa com relação à realidade. Até a ciência está cheia de simulações. A presença de simulação não diz nada por si mesma. É preciso ver se pode existir um uso filosófico da simulação no cinema."

Cabrera, Julio. Cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes, O; tradução de Ryta Vinagre - Rio de Janeiro: Rocco, 2006.