acabou-se a poesia
acabou-se o aborrecimento
acabou-se o amor
acabou-se o sexo
tiranos trancaram-me
dentro de meu coração
arrancaram-no de mim
e depois jogaram fora
30 de novembro de 2009
18 de outubro de 2009
eu sou o silêncio que me escuta
a lua que minguou
eu sou a tarde que morre
o juízo que sumiu
eu não sou eu
eu sou o vazio
eu sou o desamor
eu sou a rouquidão
a lua que minguou
eu sou o pó levado pelo vento
as cinzas que já passou
as cinzas que já passou
eu sou a tarde que morre
o juízo que sumiu
eu sou o espaço vazio do mundo
a palavra que calou
a palavra que calou
eu não sou eu
eu sou o vazio
eu sou o desamor
eu sou a rouquidão
eu sou tudo
e sou o nada
estou aqui
e em lugar algum.
e sou o nada
estou aqui
e em lugar algum.
15 de outubro de 2009
surpreendida por um momento de alegria, me desconheci. me vi saindo de meu corpo, me transformando em quem eu não queria. repetidas vezes, me sonhei nesse corpo. me sonhei nessa ilusão de que tudo, um dia, vai ficar bem. mas não vai. esses momentos alegres chegam e do mesmo jeito que chegam, vão embora. estou surpresa que a alegria ainda não foi embora. estou surpresa que estou aguentando minuto por minuto esse estado lastimável de ficar sorrindo pras paredes. não pode ser eu. não pode. e tudo por que eu vi uma joaninha pousar em minha mão. não sou eu de jeito nenhum.
sarah b.
13 de outubro de 2009
uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. apesar de, se deve comer. apesar de, se deve amar. apesar de, se deve morrer. inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
clarice lispector
10 de outubro de 2009
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